A frase “ser mãe é padecer no paraíso” nunca foi tão atual. Cada vez mais, e não só no “dia oficial”, elas lutam para transmitir boas lições e fazer os filhos felizes, em meio a rotinas desgastantes. O desafio é conciliar momentos difíceis e dolorosos com as alegrias e delícias de ser mãe.

A vendedora ambulante Shirley Maria dos Reis Pereira, de 55 anos, por exemplo, se considera vencedora, apesar da história sofrida. Ela gerou 24 filhos e teve trigêmeos cinco vezes. A primeira gravidez foi aos 12 anos. Alexandre, Alessandro e Janaína, de 43 anos; Luan, Luana e Ruan, de 27; Shirley, Daniel e Kevin, de 28; Wanderson, Wagner e Warley, de 32; Vanessa, Michelle e Danielle, de 30, vivem na Grande Belo Horizonte e no interior de Minas.

Os outros nove filhos, segundo ela, “Deus levou para morar com Ele”. Dos 21 netos, nove moram com ela no Conjunto Felicidade, região Norte de BH.

Shirley se casou aos 11 anos. Com o primeiro marido teve 12 filhos. Com o segundo, com o qual se casou “por necessidade”, outros 12.

Shirley, que vende bichos de pelúcia na passarela próxima à rodoviária, onde ganha R$ 30 por dia, levava os bebês para o trabalho nas ruas, dentro de caixas, porque não tinha com quem deixá-los. “Criei todos eles com dificuldade, mas somos trabalhadores e muito felizes”.

Vale a pena

Sem a mesma facilidade para engravidar de Shirley, Izabel Lobato Fonseca, de 33 anos, lutou por quatro anos para dar à luz Rafael, de 1 ano e 10 meses, que nasceu da quarta fertilização in vitro. Prematuro de seis meses, Rafael ficou 64 dias na UTI, teve o coração operado e problemas respiratórios. Hoje, é um menino saudável.

“Toda a dificuldade valeu a pena e serviu para Rafael ser ainda mais amado. É maravilhoso ser mãe. Muito melhor do que eu imaginava”, diz Izabel, que pensa em passar pelos tratamentos novamente para ter outro filho.

Filho requer uma vida de dedicação

Mulheres que se dispõem a ser mães devem entender que não vão simplesmente gerar uma criança, devem investir o tempo necessário para dar atenção e amor ao filho, segundo a psicanalista e professora da PUC Minas, Eliane de Andrade. “Ter filhos não é cumprir currículo. A mulher precisa levar em conta que isso requer a vida inteira de dedicação”.

A lição também é ensinada pela médica geriatra Cláudia Caciquinho de Souza, de 44 anos. Apesar da rotina corrida de plantões em dois hospitais, atendimento domiciliar e no consultório, tem tempo para curtir os filhos Lucas, de 6 anos, e João Marcos, de 1 ano e 10 meses, e dar carinho especial ao enteado, Felipe.

Atualmente, as preocupações são dirigidas ao mais novo, na fase de descobertas. “Ele não tem noção do perigo. Dá cambalhotas no sofá e quase me mata do coração”, conta Cláudia, cansada por não dormir bem nos últimos dias, devido a uma gripe do menino.

Mas momentos de alegria fazem parte do cotidiano. Como receber uma ligação de casa e se surpreender com a voz de Lucas: “Mamãe, eu te amo e estou com saudades. Quando você volta pra casa?”. “Dá vontade de voltar correndo”.