A Prefeitura de Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, exonerou um médico que, segundo denúncia, teria apresentado atestados falsos para não fazer plantão na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro Justinópolis. Conforme a denúncia, no horário em que deveria atender crianças pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o profissional estaria realizando consultas particulares em um hospital particular localizado na região Centro-Sul da capital.

O caso veio à tona após o vereador Ramon Romagnoli Costa (MDB) divulgar nas redes sociais um vídeo que mostra o médico William Bicalho Hastenreiter Paulo em consultório particular no horário em que deveria estar na UPA. O profissional nega veementemente. Ele se defende alegando que nunca apresentou atestado falso e não estaria de plantão quando as imagens foram gravadas. O médico, que também era coordenador do setor de pediatria da UPA Justinópolis, disse que está reunindo documentos para acionar a Justiça.

Por nota, a prefeitura de Neves confirmou a exoneração do profissional assim que tomou conhecimento das denúncias. "A Secretaria Municipal de Saúde informa que a demissão do médico William Hastenreiter ocorreu no dia 27 de novembro. A Prefeitura esclarece também que o pediatra era funcionário contratado de livre nomeação e exoneração". O Executivo também confirmou que o médico assumiria o plantão do dia 26 de novembro às 19h, mesmo dia e horário em que o vídeo foi gravado.

O Conselho Regional de Medicina (CRM-MG) abriu sindicância para investigar o caso. "Todas as denúncias recebidas são apuradas de acordo com os trâmites estabelecidos no Código de Processo Ético Profissional (CPEP). Os procedimentos correm sob sigilo. Obedecendo ao CPEP, somente as penalidades públicas impostas aos médicos denunciados podem ser divulgadas.

A autarquia explicou que a sindicância é uma apuração preliminar, quando são recolhidas informações sobre os fatos, podendo evoluir ou não para processo ético-profissional. O prazo para conclusão das sindicâncias é de até 180 dias, podendo ser prorrogado se necessário. Se constatada alguma irregularidade, as penalidades variam de advertência em aviso reservado, censura confidencial e censura pública, podendo chegar à suspensão do exercício profissional por 30 dias e, em casos mais graves, à cassação do exercício profissional do médico.

Denúncia

Romangnoli, autor do vídeo, relatou à reportagem que o médico faltava constantemente aos plantões, apresentando atestados médicos. Por isso, ele disse que marcou uma consulta no local onde William Bicalho faria atendimento particular para flagrá-lo. "O médico está lesando os cofres públicos de um município que é tão carente como Neves. Além disso, deixar pessoas sem atendimento, crianças doentes, é uma irresponsabilidade", declarou.

As imagens foram feitas na última segunda-feira (26) e transmitidas, ao vivo, nas redes sociais do vereador. Conforme o parlamentar, as faltas do médico estariam ocorrendo desde agosto deste ano. Ainda de acordo com Romangnoli, o William Bicalho deveria fazer três plantões por semana na UPA de Ribeirão das Neves.

Outro lado

O médico William Bicalho Hastenreiter Paulo declarou que as denúncias contra ele são caluniosas e que irá se defender das acusações na Justiça. O profissional afirmou ser vítima de perseguição política por denunciar irregularidades no serviço público de saúde de Ribeirão das Neves.

"É mentira que apresentei atestado falso, que estaria de plantão naquele dia. A única verdade é que o município de Neves sofre (no quesito saúde)", defendeu-se.  O profissional relatou, ainda, que está sendo ameaçado de morte.

Confira abaixo os vídeos feitos pelo vereador:


O Hospital Lifecenter, citado no vídeo do vereador Ramon Romagnoli, informou que o médico não atendia nas dependências da instituição, e sim em um condomínio de consultórios que fica anexo.