Um médico de 70 anos que teve seu registro profissional cassado pelo Conselho Regional de Medicina do Estado de Minas Gerais (CRM-MG), em 2012, foi preso na manhã desta quinta-feira (12) no Centro de Belo Horizonte, ao ser flagrado vendendo falsos atestados médicos. Segundo o sargento Ricardo Lúcio da Polícia Militar, ele também vendia encaminhamentos de exames, como eletrocardiograma, por R$ 30. 

"O local era uma clínica médica particular que ele fazia atendimentos e vendia atestados médicos e exames. O que a pessoa queria ela conseguia com ele. Em conversa com o suspeito, ele disse que dava aulas em uma faculdade de Medicina em Ribeirão Preto e também disse que está recorrendo na Justiça porque o CRM não deveria ter feito isso com ele", contou. 

O suspeito atuava clandestinamente na sala comercial de um prédio localizado na avenida Amazonas, onde foram encontrados também carimbos com o nomes de outros profissionais.  

"Tinham vários carimbos com o nome de outros médicos que nem sabiam que eram usados nesta clínica. Ele mandava fazer os carimbos após conseguir os dados de outros profissionais para carimbar os falsos atestados. Inclusive, enquanto a gente estava lá atendendo a ocorrência, apareceram várias pessoas querendo pegar atestados. Apreendemos a quantia de R$ 300 só hoje, ou seja, se ele vendia cada atestado a mais ou menos R$ 20, deve ter atendido umas 15 pessoas só pela manhã", conclui o militar.  

Procurado pelo reportagem, o CRM-MG confirmou a cassação do registro do suspeito, que foi, inclusive, publicada no Diário Oficial de Minas Gerais, na época. A cassação aconteceu por infração aos artigos 64 e 93 do Código de Ética Médica. 

Respectivamente, são eles: "agenciar, aliciar ou desviar, por qualquer meio, para clínica particular ou instituições de qualquer natureza, paciente atendido pelo sistema público de saúde ou dele utilizar-se para a execução de procedimentos médicos em sua clínica privada, como forma de obter vantagens pessoais" e  "ser perito ou auditor do próprio paciente, de pessoa de sua família ou de qualquer outra com a qual tenha relações capazes de influir em seu trabalho ou de empresa em que atue ou tenha atuado".  

Leia mais:

Mineiro que desviou dinheiro do filho doente é indiciado e pode pegar 13,6 anos de prisão
Empresa dá rombo de R$ 2 mi ao fraudar laudo de deficiência para comprar carros com desconto
Falso médico é preso e 600 pacientes devem ser investigados por conivência, em Belo Horizonte