O médico Fábio Lima Duarte, de 37 anos, suspeito de ter violado sexualmente 105 mulheres, incluindo crianças e adolescentes, foi preso em Belo Horizonte, nesta segunda-feira (17). Essa é a terceira vez que o clínico geral foi detido suspeito de estuprar e filmar as partes íntimas das pacientes. Além disso, ele também é investigado por compartilhar e armazenar conteúdo pornográfico envolvendo mulheres menores de idade.

Desta vez, a prisão foi realizada pela Polícia Federal (PF), durante a Operação "Curie", deflagrada para combater a exploração sexual de crianças e adolescentes. Fábio foi detido em casa, na região da Pampulha, após mandado de prisão preventiva expedido pela 35ª Vara da Justiça Federal. 

Ele foi levado para a Penitenciária de Segurança Máxima Nelson Hungria, em Contagem, na Grande BH, onde permanecerá à disposição da Justiça. Segundo a PF, se condenado, poderá cumprir até seis anos de prisão, além de ter que pagar multa.

Prisão ilegal

O advogado João Paulo Machado Rodrigues, que representa o médico, declarou que considera a prisão ilegal, já que a polícia não apresentou novos elementos que justifiquem a nova detenção de seu cliente. Ele já sinalizou que vai recorrer e pedir a liberação do clínico geral. "Nesse sentido, tendo em vista que não houve cometimento de novo delito desde sua última soltura, a defesa entende que a sua prisão é ilegal, vez que não preenche os requisitos necessários da adequabilidade e da contemporaneidade da medida, e irá tomar as medidas judiciais cabíveis", informou por meio de nota.

Crime

Conforme as investigações, Fábio é suspeito de filmar pacientes que realizava ultrassonografias endovaginais (dentro da vagina) e de seios. Além das imagens do consultório, no computador dele foram encontrados vídeos do suspeito mantendo relações sexuais com menores e até cenas de uma possível prática de tortura com uma jovem.  

As imagens dos exames das pacientes eram filmadas, possivelmente, com uma câmera Go Pro, que o homem ligava e ajustava antes das vítimas entrarem no consultório. A maior parte delas foi feita em uma clínica particular em Betim, mas há também cenas gravadas em uma policlínica em Vespasiano e, possivelmente, em Belo Horizonte. 

Os arquivos eram salvos no computador dele, com o primeiro nome das mulheres e características delas. Ao todo, são retratadas 74 adultas e 31 crianças e adolescentes, cuja idade varia de 9 a 17 anos. A polícia encontrou ainda uma espécie de tutorial, em inglês, sobre como abordar crianças para praticar abusos, no notebook do homem.

Havia também uma filmagem de 2015, feita dentro da casa do suspeito, no bairro Ouro Preto, na Pampulha, em que uma jovem de 20 anos estava amarrada e posicionada ao lado de facas. Os investigadores concluíram que a vítima foi dopada e abusada. Em depoimento, ela disse que aquela era a primeira vez que ia à casa de Fábio. 

Prisões

O médico foi encarcerado pela primeira vez em outubro de 2018, durante a operação Luz na Infância, que investiga possíveis pedófilos. O suspeito foi solto dois meses depois, em dezembro daquele ano. Em fevereiro de 2019 ele foi preso novamente e libertado em abril.

*Com Malú Damázio

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