Os médicos de UTI's de hospitais públicos e privados de Belo Horizonte divulgaram, nesta quinta-feira (19), um alerta sobre o aumento dos casos graves de Covid-19, com risco de uma segunda onda de notificações e mais óbitos no município. 

De acordo com o Grupo Colaborativo dos Coordenadores de UTIs de BH - organização voluntária que reúne gestores da terapia intensiva para o enfrentamento à pandemia -, o número de pacientes internados subiu 20% na última semana, passando de 197 para 236.

Já a quantidade de pessoas em estágios mais graves da doença, que precisam de ventilação mecânica, saltaram de 115 para 142 - crescimento de 23%. 

Segundo os especialistas, esse aumento ocorreu de maneira "rápida", o que é ainda mais preocupante. Segundo o grupo, Belo Horizonte chegou a apresentar queda progressiva no número de vagas de UTI ocupadas por pacientes com Covid, de julho a setembro.

No entanto, de outubro até o início de novembro, a quantidade de unidades em uso parou de cair e estabilizou. Há uma semana, começou a crescer. 

Segunda onda

De acordo com os médicos intensivistas, o aumento no uso das UTI's públicas e privadas confirma "a percepção subjetiva de todos e os sinais objetivos de alerta que tivemos nos últimos dias".

Conforme a carta, os sinais em questão estão relacionados ao aumento dos atendimentos nas salas de emergência de quadros respiratórios febris agudos e crescimento rápido de novos casos, além da piora do índice de transmissão da doença, para níveis de RT acima de 1,1, que não eram observados desde julho.

Conforme os especialistas, esse cenário alerta para o risco da segunda onda de casos, sem ainda sequer ter saído da primeira. 

"Esse é um forte sinal do que estamos entrando no que estão chamando de uma segunda onda, se bem que do ponto de vista técnico, não tínhamos ainda saído da primeira, pois nunca conseguimos atingir um número baixo de casos novos que nos permitisse, por exemplo, considerar a volta às aulas das crianças", informou o grupo, em nota

Esforço coletivo

Diante do crescimento da ocupação das UTI's e da possibilidade de chegada da segunda onda, os médicos que atuam nas terapias intensivas de BH pedem que a população reforce a adoção de medidas preventivas e de combate à Covid-19. 

Segundo eles, BH chegou a ter 20 mortes provocadas pela doença, por dia, durante o pico da enfermidade, número que caiu para 5 a cada 24 horas nas últimas semanas. No entanto, o que se tem visto, na análise dos especialistas, é que os dados observados no pico podem retornar, caso o cuidado não seja implementado pela comunidade.

"Se falharmos e deixarmos voltar aos números que observamos no pico em julho, estaremos condenando 15 pessoas a mais a morrer por dia, por falta de adesão a medidas que já sabemos serem eficazes e possíveis de serem implementadas. Todos sabemos que uma dessas pessoas poderá ser alguém querido e próximo a nós", declarou o grupo

O grupo de médicos divulgou uma lista com medidas a serem adotadas pelas pessoas:

Medidas de responsabilidade individual

  1. Manter distância de pelo menos 1 metro e meio das outras pessoas;
  2. Usar máscara de forma correta, sobretudo quando fora de casa;
  3. Higienizar as mãos com água e sabão ou com álcool gel sempre que necessário;
  4. Evitar tocar o rosto;
  5. Evitar ou limitar o tempo de permanência em espaços fechados com muita gente.

Medidas de responsabilidade coletiva

  1. Fazer campanhas sobre a importância dessas medidas;
  2. Disponibilizar testes para todos os casos, mesmo os leves e testar os contatos dos positivos;
  3. Garantir quarentena dos casos suspeitos e isolamento dos confirmados;
  4. Cuidar para que todos os ambientes de uso público sejam bem ventilados ou com filtragem de ar;
  5. Garantir que quando alguma vacina eficaz e segura estiver disponível, que seja rapidamente disponibilizada para todos com critérios claros e corretos de prioridade.