Quatro dos 16 profissionais estrangeiros ou com formação no exterior que se inscreveram no programa Mais Médicos para atuar em Minas Gerais desembarcaram, no final da tarde desta sexta-feira (23), no Aeroporto Internacional de Confins, região Metropolitana de Belo Horizonte. Todos vieram de Portugal, porém, somente a clínica-geral Maria José Luiz Mendes Cardoso da Silva, de 64 anos, é portuguesa.

Além dela, chegaram o marido, também clínico-geral Artur Cardoso da Silva, de 66 anos, e os especialistas em atenção à família Carlúcio Avelino de Souza, de 40 (nascido em Salinas, no Norte de Minas) e SidneyTomás da Cunha, de Abadia dos Dourados.

Mais quatro médicos intercambistas são esperados para desmebarcar durante a madrugada deste sábado em Confins, sendo um mexicano, um argentino e dois brasileiros formados na Argentina.

Ao todo, Minas vai receber 87 médicos pelo programa, sendo 71 brasileiros e 16 com registro profissional no exterior.

No Rio

No Rio de Janeiro. ao menos 19 médicos estrangeiros e brasileiros formados no exterior desembarcaram nesta sexta-feira (23), para participar do programa Mais Médicos. No total, 244 profissionais participarão do treinamento no país, sendo 99 brasileiros e 145 vindos de Portugal, Espanha, Argentina, Uruguai, Rússia e Itália.

Os médicos começaram a chegar na cidade por volta das 15h30. Eles farão curso de três semanas a partir da próxima segunda-feira até o dia 13 de setembro. Posteriormente, poderão permanecer três anos no trabalho com bolsa de R$ 10 mil por mês. Parte deles - 68 profissionais - receberá treinamento no Rio de profissionais de instituições públicas, ligados principalmente à Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). São Paulo receberá 47 médicos e Porto Alegre 40.

De todos os estrangeiros que chegaram ao Rio, apenas oito portugueses e brasileiros falaram com a imprensa. Os outros não quiseram dar entrevista - talvez por não dominar a língua portuguesa. Entre os temas abordados nos cursos que eles receberão no Brasil estão aulas de português.

Aposentado há seis anos, o médico português Miguel Alpuim, 70, disse que veio para o Brasil "pela dificuldade de arrumar emprego com meia idade em Portugal". "Estava parado porque Portugal está em crise. Assim que tive conhecimento deste programa me inscrevi. É uma excelente oportunidade de trabalho se não ia para o clube recreativo jogar cartas", disse Alpuim, que se for aprovado deve seguir para Gaspar, em Santa Catarina. "Pedi para ficar no sul porque o clima parece com o nosso. Não gosto de calor", explicou o médico português.

Já o português João Pinto, 28, disse que vê a proposta de trabalhar no Brasil como um novo desafio. Após treinamento, ele segue para clínicas municipais de Duque de Caxias, Baixada Fluminense. "O Rio é uma nova experiência, um novo desafio. Já conhecia Rio e São Paulo. Sei que os brasileiros têm algumas gírias, mas não são difíceis de aprender. Espero também poder ajudar muitos brasileiros."

Sobre a resistência que podem enfrentar de médicos brasileiros insatisfeitos com o sistema de saúde, eles disseram se sentir tranquilos e acreditam que serão bem recebidos pelos colegas. "Penso que teremos oposições, mas tenho certeza absoluta que vão mudar de ideia quando nos verem trabalhar", disse a médica portuguesa Maria Teresa Aguiar, 59.(*Com Folhapress)