As barragens da Vale que estão em alerta máximo para risco de rompimento - no nível 3, a mesma classificação de Córrego do Feijão, que entrou em colapso em Brumadinho, no início do ano -, terão obras de contenção para reter uma possível enxurrada de lama em caso de novos desastres. 

As barreiras, que vão funcionar como uma espécie de muro para frear os rejeitos, serão construídas nas barragens B3/B4, da Mina Mar Azul, na região de Macacos e Nova Lima; Forquilhas I, II, III e IV, da Mina Fábrica, em Ouro Preto; e Sul Superior, da Mina Gongo Soco, em Barão de Cocais. No caso das estruturas de Forquilhas, os moradores atingidos seriam da cidade vizinha de Itabirito, que fica na região Central de Minas.

Durante o anúncio, feito nesta terça-feira (24), a mineradora informou que investirá R$ 1.5 bilhão nas três barragens. A previsão é de que as obras fiquem prontas até fevereiro de 2020. Até lá, mesmo sendo mantido o nível máximo de alerta para o rompimento, a empresa garante a segurança da população dos três municípios.

De acordo com Marcelo Klein, da Diretoria Especial de Reparação e Desenvolvimento, os moradores que seriam atingidos pela mancha de lama já foram retirados de suas residências. Além disso, ele garante que as estruturas em risco estão sendo monitoradas 24 horas por dia, e, em caso de colapso, o plano de evacuação seria imediatamente acionado. "Em caso de ruptura, os operários, por exemplo, teriam 30 minutos para evacuar a área", explicou.

A Vale detalhou que os funcionários estão erguendo um muro de 30 metros de altura por 190 metros de extensão em Macacos. Em Barão de Cocais, a barreira tem 36 metros de altura por 306 metros de extensão. A maior contenção será construída em Forquilhas, que terá 60 metros de altura por 350 metros de extensão. Para realizar as obras, a mineradora construiu acessos alternativos nos locais, com a intenção de desviar o tráfego dos caminhões e reduzir os transtornos para a população.

Klein disse que, após a conclusão das obras, alguns dos 1.200 moradores evacuados poderão retornar para suas casas. Outros serão indenizados para comprar novos imóveis.

Descaracterização

Além das obras de contenção, a Vale também informou que aplicará R$ 7,1 bilhões para fazer o descomissionamento das nove barragens em Minas Gerais que funcionam com o chamado alteamento a montante, método utilizado nas estruturas que se romperam em Mariana, em novembro de 2015, e em Brumadinho, em janeiro deste ano.

As barragens de Macacos, Barão de Cocais e Itabirito - consideradas mais críticas - serão descaracterizadas entre três e cinco anos. O prazo para "acabar" com as demais não foi detalhado pela empresa.

Reparados

A Vale também anunciou que vai investir R$ 190 milhões para revitalizar e aumentar o turismo em Macacos, Barão de Cocais e Itabirito. A verba será utilizada nos próximos três anos para, também, melhorar a qualidade de vida da população e desenvolver atividades econômicas nas cidades. 

Todas as intervenções estão detalhadas no Plano de Desenvolvimento de Territórios Impactados e serão destinadas, além do turismo e economia, para infraestrutura, educação, saúde e meio ambiente. Veja na imagem abaixo algumas das ações previstas:

obras de reparação da valeClique na imagem para ampliá-la e conferir algumas das ações previstas pela Vale

Macacos

Estão previstos para Macacos, por exemplo, a restauração da Igreja São Sebastião das Águas Claras, construída em 1718, a construção de um estacionamento público e a recuperação de ruas.

Barão de Cocais

O plano em Barão de Cocais prevê a limpeza e desassoreamento de cursos d'água para minimizar o risco de enchentes na cidade, melhorias da infraestrutura urbana e desenvolvimento de programas de capacitação profissional.

Itabirito

Entres as ações previstas para Itabirito estão reformas de bens públicos, como o Centro de Especialidades em Reabilitação, a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), e as igrejas do Bação e Engenheiro Correia. A Vale também pretende melhorar os roteiros turísticos da cidade e construir uma academia do ar livre.

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