Apesar de estar ocorrendo um aumento no número de testes para Covid-19, Minas Gerais ainda tem problemas quanto à confiança dos indicadores em função da natureza dos testes. Segundo a Secretaria de Estado de Saúde (SES), dos 42.137 casos confirmados da doença, no território, até 1º de julho, 24.355 (57%) foram obtidos por meio do teste rápido, que identifica anticorpos produzidos no organismo. Esse tipo de exame, feito a partir da coleta de sangue no dedo da pessoa, é menos assertivo no mapeamento da pandemia, destacam especialistas.

“O fato de os testes rápidos serem positivos confirma que as pessoas tiveram a doença. Mas quando é negativo nem sempre descartamos, porque a sensibilidade e a especificidade não são das melhores”, explica o infectologista Sidnei Rodrigues.

A imprecisão também é ressaltada pelo infectologista Carlos Starling. “Testes rápidos geralmente superestimam os dados epidemiológicos, diante da probabilidade maior de falso positivo, mas dependendo da fase da doença, podem acabar subestimando os dados, se forem feitos nos sete primeiros dias da doença. Ou seja, há uma incerteza grande em relação à sua fidedignidade, que servem para se estimar o percentual da população que respondeu à infecção”.

Ainda de acordo com Starling, a confirmação dos casos deve ser realizada com os exames PCR. Assim foram contabilizados os outros 17.782 casos de coronavírus no período citado. Esse método permite maior exatidão na identificação dos casos. Nesse exame, as amostras são colhidas na garganta e no nariz do paciente.

“A quantidade de PCR está muito abaixo de outros lugares, inclusive do Brasil, país onde se testa pouco”, avalia Sidnei Rodrigues.

Para o infectologista, os exames PCR garantem maior eficiência ao traçar estratégias para conter o vírus. “O ideal seria uma testagem em massa com PCR da população de todos aqueles que tivessem sintomas respiratórios, mesmo aqueles com sintomas leves ou moderados, para termos uma ideia de onde estão as pessoas com coronavírus, para que elas parem de transmitir, o que nos ajudaria a deter o pico da doença”.

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