Pelo menos seis a cada dez roubos em Belo Horizonte têm pedestres como alvo. De janeiro a maio deste ano, mais de 5 mil pessoas foram vítimas de bandidos enquanto andavam pelas ruas da capital. Os dados são da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp).

O celular é o principal foco dos criminosos nesse tipo de ocorrência. No domingo (14), durante a 22ª Parada do Orgulho LGBT, na Praça da Estação, 170 aparelhos foram tomados por uma quadrilha durante a festa. O problema, no entanto, não acontece apenas em grandes eventos.

Quem transita diariamente pela cidade, sobretudo no hipercentro, garante que o risco é real e constante. Nas imediações da Praça 7, não é difícil encontrar quem já tenha entrado na mira de bandidos ou pelo menos presenciado algum crime.

“Já tive meu telefone roubado três vezes aqui no Centro. Fui obrigada a pagar caro para colocar seguro no meu celular. O problema é ter que viver com medo, esperando ser vítima de novo”, relata a profissional do sexo Cristiane Oliveira, de 35 anos.

roubo celular

Cristiane já teve três celulares levados por ladrões

O vendedor John Silva, de 28, que há quase uma década trabalha em uma farmácia na avenida Amazonas, conta que já perdeu as contas dos assaltos que presenciou. “É sempre a mesma situação: a pessoa está sozinha em um ponto de ônibus ou distraída mexendo no aparelho e os caras chegam, tomam, e saem correndo. Eu não vacilo de jeito nenhum com o meu celular”, conta. 

Repressão

Professor de Direito Penal das Faculdades Promove e especialista em Gestão de Segurança Pública, José Roberto Lima defende o aumento do efetivo policial para tornar o enfrentamento ao problema cada vez maior.

“Hoje temos as câmeras de vigilância funcionando o tempo inteiro, mas com mais policiais nas ruas podemos ter um esforço conjugado. A tecnologia não substitui a importância do agente de segurança nas vias”, avalia. 

O cerco à receptação dos produtos também deve ser prioridade, alerta o sociólogo Luís Flávio Sapori, ex-secretário-adjunto de Segurança Pública do Estado e, hoje, coordenador do Centro de Estudos e Pesquisa em Segurança Pública da PUC Minas.

“Ainda existe grande dificuldade de investigar e desmontar essas redes clandestinas que recebem e revendem esses celulares roubados. A atuação precisa ser mais incisiva com foco nesse mercado comprador”, afirma Sapori.

Combate

Na comparação com o mesmo período do ano passado, o total de roubos em BH apresentou queda de aproximadamente 30%. Porta-voz da Polícia Militar, o major Flávio Santiago explica que os ataques a pedestres são os chamados “crimes de oportunidade” e acontecem, na maioria dos casos, quando as vítimas estão desatentas ou em locais ermos.

“A PM trabalha hoje com o monitoramento constante e isso tem provocado redução significativa desses crimes. Mas a orientação é que todos andem com as bolsas sempre à frente do corpo e usem os celulares somente dentro de locais movimentados, nunca em ambientes desertos”, diz.

Em nota, a Polícia Civil informou que as delegacias atuam de forma constante para localizar os aparelhos levados, os autores dos crimes e os receptadores. 

“Operações são realizadas regularmente a partir do trabalho de inteligência”. O Departamento Estadual de Investigação de Crimes Patrimoniais (Depatri) conta com equipe especializada para auxiliar nas investigações.
 

Mais da metade dos roubos em BH tem quem anda a pé como alvo

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