Belo Horizonte deu início nesta segunda-feira (25) a uma nova fase na sua história. Exatos 66 dias após fechar vários setores do comércio por causa do risco de transmissão do novo coronavírus, a capital reabriu alguns serviços considerados não essenciais.

São 11 mil pontos comerciais que voltam a funcionar. Salões de beleza, lojas de artigos domésticos, cama, mesa e banho e lojas de perfumaria e papelaria, além dos shoppings populares, são alguns dos negócios permitidos a abrir as portas, mas seguindo uma escala com horário específico de funcionamento para evitar aglomerações. Veja abaixo:

Diário Oficial do Município - DOM

Clique na imagem para ampliá-la

O anúncio foi feito na tarde da última sexta-feira (22), durante entrevista coletiva na sede da prefeitura. Festas, eventos, escolas e shoppings center não têm previsão da retomada das atividades, que será feita em quatro fases. Veja aqui o decreto.

Cerca de 30 mil pessoas devem voltar ao trabalho, estima a Prefeitura de Belo Horizonte, nesta primeira etapa. O número, de acordo com a Secretaria Municipal de Planejamento, representa 2,5% dos moradores hoje em isolamento social.

A reabertura será monitorada diariamente pelo comitê de enfrentamento à Covid-19 criado na cidade. "Ao menor sinal de perigo iremos retroceder ou até determinar o lockdown", afirmou o secretário municipal de Saúde, Jackson Machado. 

Os estabelecimentos deverão garantir distância mínima de três metros entre as pessoas. Clientes e funcionários são obrigados a usar máscaras. Álcool gel precisa ser fornecido nos locais para a higienização das mãos .
 
Também deverá haver controle de entrada e saída nas lojas. Os clientes não devem levar acompanhantes durante as compras.

No caso dos salões de beleza, o atendimento deverá ser feito somente com horário marcado e com intervalo de trinta minutos entre os clientes, para que seja feita a limpeza do local.

As normas e os segmentos liberados para funcionar a partir desta segunda-feira foram publicados em edição extra do Diário Oficial do Município (DOM) na última sexta-feira.

Medo

Atualmente, BH tem 42 mortos e 1.392 casos confirmados de Covid-19. No entanto, a situação do Brasil preocupa os especialistas que liberaram o afrouxamento das medidas radicais de isolamento social em BH. No país, os registros da doença estão em franco crescimento.

Por isso, o prefeito Alexandre Kalil foi categórico: se houver explosões de novos registros por aqui após o início da flexibilização, a metrópole voltará a parar.

O secretário de Saúde Jackson Machado destacou um certo temor. "Confesso que traz um pouco de medo, porque nunca se sabe o que vai acontecer (com o afrouxamento da quarentena)", disse.

A retomada gradual das atividades foi possível porque os indicadores utilizados pela prefeitura estão em níveis aceitáveis. A taxa de transmissão do vírus é de 1,09 - mas se chegar a 1,2 pode levar ao fechamento dos comércios novamente, conforme Machado.

Nesta sexta-feira, a ocupação dos leitos de UTI e de enfermaria específicos para Covid-19 estavam, respectivamente em 40% e 34%. De acordo com o secretário, o alerta acende quando passa de 50%.

Repercussão

Sobre a reabertura do comércio em Belo Horizonte, o secretário estadual de saúde, Carlos Eduarrdo Amaral, afirmou, nesta sexta (22), que a cidade "tem toda liberdade para tomar as suas ações, como sendo município pleno".

Segundo ele, a equipe de saúde de BH tem proximidade muito grande com a Secretaria Estadual de Saúde. "Com frequência discutimos abordagens. Então, eu fico muito confortável para entender que a equipe da Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte tomará a melhor conduta em relação ao seu município”.

Como estava

Em meio à reabertura do comércio, alguns serviços essenciais que já estavam funcionando em Belo Horizonte. Confira a lista:

5h às 21h

• Padaria

5h às 17h

• Comércio atacadista da cadeia de atividades do comércio varejista da fase de controle

7h às 21h

• Açougue e peixaria

• Comércio varejista de laticínios e frios

• Hortifrutigranjeiros

• Madeireira

• Material de construção em geral

• Material elétrico e hidráulico, vidros e ferragem

• Minimercados, mercearias e armazéns

• Supermercados e hipermercados

• Tintas, solventes e materiais para pintura

10h às 16h

• Agência de correio e telégrafo

• Agências bancárias: instituições de crédito, seguro, capitalização, comércio e administração de valores imobiliários

• Casas lotéricas

Sem restrição de horário

• Artigos farmacêuticos

• Artigos farmacêuticos, com manipulação de fórmula

• Artigos médicos e ortopédicos

• Atividades de serviços e serviços de uso coletivo, exceto os especificados no art. 2º do Decreto nº 17.328, de 8 de abril de 2020

• Atividades industriais

• Banca de jornais e revistas

• Combustíveis para veículos automotores

• Comércio de medicamentos para animais

• Comércio varejista de artigos de óptica

• Comércio varejista de gás liquefeito de petróleo (GLP)

Serviços que permanecem fechados:

• Academias, centros de ginástica, estúdio de pilates e afins

• Bares, lanchonetes e restaurantes (funcionando apenas como delivery)

• Boates, danceterias e salões de dança

• Casas de shows e espetáculos e qualquer natureza

• Centros de comércio e galerias de lojas

• Cinemas e teatros

• Clínicas de estética

• Clubes e serviços de lazer

• Escolas públicas e particulares

• Feiras e eventos de rua

• Lojas dos shoppings centers (exceto supermercados, casas lotéricas, Correios e drogarias)

• Parques de diversão e temáticos

• Quadras esportivas de aluguel


Leia mais:
Coletivos de BH terão limite para passageiros em pé a partir de segunda
Com reabertura do comércio em BH, metrô tem horário ampliado a partir de segunda