Estudantes do 9º ano da rede pública de Belo Horizonte iniciam nos próximos dias o ensino remoto por meio de um regime especial criado pela Secretaria Municipal de Educação (Smed). As aulas serão virtuais ou por meio de material impresso - aos alunos que não têm acesso à internet. Por enquanto, não há previsão de retorno das atividades presenciais na capital.

Até então, as escolas ofereciam atividades remotas, mas não as aulas, que contam como ano letivo. Além dos adolescentes do ensino fundamental, que na fase regular têm 14 e 15 anos, também passarão por esse aprendizado quem participa da Educação de Jovens e Adultos (EJA) e está na fase de conclusão do curso. No total, serão 16.900 estudantes com o novo método.

Conforme portaria publicada nesta quarta-feira (9) no Diário Oficial (DOM), o ano letivo desses alunos deverá seguir até 28 de fevereiro de 2021. A medida visa a garantir que a formatura no ensino fundamental a tempo de cursar o médio no ano vem.

Apesar da retomada do ensino remoto, a secretária de Educação, Ângela Dalben, explica que, desde o início da pandemia, os alunos estão desenvolvendo atividades educacionais. Por isso, ela não considera que o ensino foi interrompido. Porém, somente o aprendizado disponibilizado a partir de agora irá, de fato, contar como horas para o ano letivo de 2020.

"Distribuímos cestas pedagógicas, com livros e outros materiais didáticos, para os alunos aprenderem em casa", destacou a gestora.

Ensino remoto

A Smed informou que nos últimos seis meses, período em as aulas estão suspensas de forma presencial por causa da pandemia, realizou um mapeamento para identificar a situação de cada aluno. Com o levantamento, as escolas definiram o melhor método de ensino para cada aluno.

Aqueles com condições de aulas virtuais terão acessos aos conteúdos por meio do Google Class (sala virtual) ou WhatsApp. Já os estudantes que não possuem os equipamentos nem internet vão receber apostilas em casa. Neste caso, o material poderá ser retirado na própria escola ou enviado pelos Correios.

Dalben destacou que cada instituição tem autonomia para decidir a melhor opção. Ela destacou que 100% dos estudantes do 9º ano e do EJA contemplados na portaria terão acesso aos conteúdos. "Cada escola tem um plano para o aluno, não temos uma proposta única para todo mundo. Não assumimos uma única forma de trabalho, mas inúmeras", frisou.

Segundo a gestora, os diretores e coordenadores das escolas já estão entrando em contato com os responsáveis dos alunos para explicar sobre o ensino remoto. "Será personalizado. A diferença é que nós estamos trabalhando com as características dos nossos estudantes para garantir o direito de aprender", destacou.

Avaliação

No total, o ano letivo terá 800 horas. A portaria define que poderá ser contabilizado o tempo de leitura e produção de textos, além de outras atividades repassadas pelos professores, como filmes, vídeos, peças teatrais e músicas.

Todo o conteúdo desenvolvido pelos alunos deverá ser documentado em um portfólio. No final do ano letivo, um conselho de classe analisará o material para definir se o estudante tem condição se ser aprovado.