Pelo menos 220 membros do Primeiro Comando da Capital (PCC), considerados do alto escalão, recebiam dinheiro da facção mesmo estando em presídios federais. Os valores não foram informados, mas o repasse era mensal, conforme a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO). Os favorecidos eram líderes da quadrilha ou homens responsáveis por matar policiais ou outros servidores públicos.

A quantia variava conforme o crime. "Então, se ele foi arremetido para o sistema penitenciário federal por pertencer à facção, ele recebe 'X'. Se ele foi arremetido para o sistema penitenciário federal por exercer um cargo de relevo na facção, ele o valor '2x'. E, se ele executou alguma missão da facção, ele recebe o valor '3x'", explicou o delegado federal Alexander Castro.

Nesta segunda-feira (31), o PCC foi alvo da maior operação policial já realizada no Brasil e sofreu um duro golpe financeiro. Autorizada pela Justiça Federal em Belo Horizonte, os investigadores identificaram e desarticularam o ‘Setor da Ajuda’, responsável pelo repasse das mesadas.

Contas laranjas utilizadas pelo grupo foram encontradas pelos investigadores, e a Justiça autorizou o bloqueio de R$ 252 milhões. Com um dos suspeitos, nesta manhã, na cidade paulista de Santos, a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO) recolheu R$ 6 milhões em espécie. 

O bloqueio do dinheiro é apontado como o principal método para desestruturar a ação do PCC em todo o Brasil. Coordenador-geral de Repressão a Drogas e Facções Criminosas da Polícia Federal (PF), o delegado Elvis Secco destacou que a segunda fase "Caixa Forte", nome dado à operação, foi muito além da prisão dos criminosos. "Visa, acima de tudo, desarticular e desestabilizar, quebrar a parte financeira da organização criminosa", detalhou.

Além disso, a Justiça mineira ordenou o cumprimento de 623 mandados, sendo 422 de prisão preventiva e 201 de busca e apreensão. Ao todo, 1.100 agentes de segurança participaram da ação, realizada simultaneamente em Minas e mais 18 estados e Distrito Federal.

Como a operação ainda está em andamento, a força-tarefa não informou os valores apreendidos até o momento e a quantidade de presos. O valor das mesadas repassadas aos criminosos não foram divulgadas por determinação da Justiça, que decretou sigilo.

Esquema irregular

Na primeira fase da "Caixa Forte", em 2019, a investigação identificou os responsáveis pelo ‘Setor do Progresso’, com atuação no tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. Depois disso, os policiais descobriram que os valores eram transferidos para inúmeras contas bancárias da facção e, posteriormente, repassado aos presos - o que resultou na segunda fase da operação

O delegado da PF Alesxander Oliveira informou que as contas laranjas identificadas não pertenciam a membros da quadrilha. "Essas pessoas que disponibilizavam as contas vão responder por lavagem de dinheiro, por estarem ocultando o dinheiro da facção", explicou.

Delegado da Polícia Civil, Murilo Ribeiro acrescentou que, como esquema ilegal, o bando tinha o objetivo de dispersar os recursos sem ser percebido pelos órgãos de segurança. "O objetivo dessa operação foi asfixiar o patrimônio dessa organização criminosa, diminuir a sua atuação e reduzir a movimentação financeira", detalhou.

Histórico

A "Caixa Forte 2" é apontada como a maior operação de combate ao tráfico realizada no país, em número de mandados, de estados alvos, valores apreendidos e prisão de líderes da facção soltos. Participaram da operação, realizada em 90 cidades, a Polícia Civil de Minas, Polícia Federal (PF), Polícia Rodoviária Federal (PRF) e o Departamento Penitenciário (Depen) de Minas e do Distrito Federal.

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