Cinquenta e quatro por cento dos motociclistas de Belo Horizonte já sofreram algum acidente de trânsito e 63% deles não têm plano de saúde e dependem, portanto, do Sistema Único de Saúde (SUS). Índices considerados preocupantes, segundo o diretor da Câmara Setorial Duas Rodas Moto da CDL/BH, Milton Furtado. Além dos ferimentos e cuidados médicos necessários, um acidente causa prejuízo financeiro para a economia e para eles, que são em sua maioria motofretistas. “O tempo que essas pessoas passam fora do mercado de trabalho gera um grande prejuízo para a economia, pois elas deixam de produzir”, afirmou Furtado. 

Os números fazem parte da quinta edição do projeto Ande Seguro, da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte, e foram divulgados nesta terça-feira (19). De acordo com o estudo, se por um lado, muitos se acidentaram, por outro, o número de acidentes na cidade caiu 14,66%, de acordo com atendimentos realizados no Hospital João XXIII, entre agosto e outubro de 2018, em comparação com o mesmo período do ano anterior.  

Um dos motivos para redução no número de acidentes pode ser a mudança de comportamento de alguns motociclistas, que se tornaram mais prudentes como mostrou o levantamento, quando foram avaliados itens de segurança como capacetes, luvas, calçados dos condutores e os freios das motocicletas. O resultado apontou estabilidade em todos os equipamentos de proteção do condutor. “Isso demonstra que os motociclistas estão cada vez mais atentos e conscientes quanto à importância do uso e conservação desses itens”, afirmou o diretor da Câmara Setorial Duas Rodas Moto. 

Segundo a CDL, 204 motociclistas a menos se acidentaram e a economia aos cofres públicos está em torno de R$ 8,9 milhões. 

Para realizar a pesquisa, foram feitas 17 paradas educativas em pontos estratégicos de BH no ano passado. Nessas ocasiões, 3.200 motociclistas foram abordados e 658 deles responderam perguntas como quantos quilômetros são rodados por dia, se já sofreu ou não acidentes, entre outros. Confira outros dados:

Acidentes e afastamentos

  • 39% dos motociclistas se afastaram de um mês a um ano.
  • 25% ficaram parados de um a 29 dias. 
  • 5% de um a três anos. 

Raio-X das motos em BH

  • 2009 = 149.046 unidades
  • 2019 = 222.032 (até a metade de março)
  • 10,8% dos veículos da capital são motos

Fonte: Detran/MG

Quem são os motociclistas

  • 91% dos condutores são homens
  • 9% são mulheres
  • 38% rodam de 101 a 250 quilômetros por dia
  • 41% trabalham com motofrete 
  • 5% trabalham como motoristas
  • 4% trabalham como vendedores
  • 3% trabalham como empregados da construção civil
  • 47% trabalham em outras profissões
  • Maior parte dos entrevistados possui entre 31 e 40 anos

Equipamentos de segurança

  • Capacete - 74% estão em boa condição
  • Calçados - 37% estão em boa condição 
  • Jaqueta - 27% estão em boa condição
  • Em relação aos freios, 65% das motocicletas avaliadas apresentaram uma boa condição de uso, 33% demonstraram condição razoável e apenas 2% ruim. 
  • Já a utilização de luvas em mal conservadas aumentou 9%, chegando a 85% em 2018. Milton Furtado explica que durante o uso da motocicleta, as mãos ficam muito expostas, sujeitas a queimaduras do sol e não escapam do contato abrasivo do asfalto em caso de queda.

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