Noventa e cinco pessoas de Belo Horizonte que tiveram contato com o paciente internado sob suspeita de ebola estão sendo monitoradas pela Secretaria de Estado de Saúde (SES). A informação é do Superintendente de Vigilância Epidemiológica, Ambiental e Saúde do Trabalhador da SES, Rodrigo Said.

Ele explicou que, por enquanto, não há necessidade de colocá-las em isolamento, já que a transmissão da doença só ocorre quando o paciente apresenta sintomas. A recomendação é para que as 95 pessoas monitoradas busquem atendimento médico em caso, principalmente, de apresentarem febre alta, a partir de 38 graus. Agentes da Secretaria de Saúde mantêm contato constante para avaliar as condições de saúde dos monitorados.

Said garantiu que todos os protocolos nacionais de enfrentamento à doença foram seguidos pela Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) Pampulha, onde o paciente foi inicialmente internado, na última terça-feira (10). Ele havia chegado em BH na sexta-feira anterior, vindo da Guiné, país africana com alto índice de casos de ebola.

Segurança

As medidas de segurança adotadas na capital envolveram o isolamento da unidade, identificação das pessoas que tiveram contato com o doente e transferência imediata do paciente para o Hospital Eduardo de Menezes, referência estadual no tratamento de doenças infectocontagiosas.

De lá, ele foi transferido para o Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, no Rio de Janeiro. A instituição, ligada à Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz), é referência nacional para casos da doença.

Vigilância

No total estão sendo monitorados 31 trabalhadores de saúde que fizeram atendimento do homem na UPA, 59 pacientes que aguardavam atendimento no local e cinco pessoas que moram no mesmo endereço dele. A SES está fazendo um controle diária na tentativa de identificar outras pessoas que mantiveram contato com o doente.

Profissionais do Hospital Eduardo de Menezes estão foram do grupo de contactantes, ou seja, de pessoas que estiveram com o paciente doente. Todos utilizaram Equipamento de Proteção Individual (EPI) específico para casos de ebola.

Tratamento

O paciente, que vive em Belo Horizonte, está recebendo tratamento contra malária, doença endêmica na África. O exame de sangue, cujo resultado será divulgado ainda hoje, só será definitivo se for positivo para a doença. "Em caso de resultado negativo, o protocolo manda realizar um novo exame em 48 horas para descartar a doença definitivamente", explica o superintendente da Secretaria de Estado de Saúde. Diagnóstico positivo para malária não elimina a chance de contaminação por ebola.

O caso

O paciente chegou em Belo Horizonte na última sexta-feira, vindo da Guiné. Depois de dois dias, o homem começou a apresentar sintomas típicos da doença, como febre alta, dores musculares e fraqueza, e foi internado na UPA Pampulha.

Antes do início da tarde de quarta-feira ele foi transferido para o Hospital Eduardo de Menezes, em BH, de onde seguiu para o Rio de Janeiro.

A Secretaria Municipal de Saúde informou que a UPA foi reaberta às 17h de ontem, após desinfecção completa do ambiente. Segundo o Ministério da Saúde, todos os protocolos para a doença foram seguidos. O paciente segue em isolamento e é monitorado constantemente.

Ebola

O ebola tem índice de letalidade de até 90%, já que não tem cura. A doença manifesta-se como uma dengue forte, com febre alta, dores no corpo e de cabeça. Os sintomas mais graves são hemorragias, erupções cutâneas e falência de múltiplos órgãos. Apenas pacientes com sintomas transmitem a doença.