Quatro meses após o platô – estabilização de casos – e consequente redução nas taxas de transmissão, a pandemia de Covid-19 volta a assustar com uma nova dinâmica de contaminação. Se antes a população mais vulnerável à doença estava concentrada nas regiões periféricas, agora o risco de internações de pacientes graves é maior para as famílias de classe média, alertam médicos.

A quebra da quarentena com festas, viagens ou simples idas a bares, que podem gerar aglomeração, preocupam os especialistas. Atualmente,

BH tem 52 mil casos e 1.610 mortes pelo coronavírus. Em Minas, são 393 mil confirmações e 9.688 óbitos.

Conforme o infectologista Unaí Tupinambás, que integra o Comitê de Combate à doença em Belo Horizonte, a situação é comum não só na metrópole mineira, mas nas demais capitais do Sudeste.

“Muito parecido com o que aconteceu no começo da pandemia, quando o vírus veio das famílias que viajaram para a Europa. Agora, a gente vê que as classes A e B conseguiram ficar isoladas, fazer home office, mas se cansam e começam a viajar. Pegam avião para ir às praias”, analisa.

Mas, os riscos, acrescenta o médico, não param por ai. “As pessoas voltam das viagens e continuam saindo para bares e restaurantes, jovens, principalmente. E levam para os pais, parentes mais vulneráveis. E, daí, chega às classes C e D”.

Discurso semelhante tem o professor da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) Júlio de Abreu. “Agora todo mundo parou de usar a máscara e a classe média passou a fazer confraternizações, jantares e festas de família. O vírus encontrou uma situação perfeita e entrou nas casas. O neto chega com o vírus e passa para o avô”, explica o pneumologista.

Conforme o Hoje em Dia  mostrou nesta sexta-feira, as internações dos casos graves de Covid crescem 40% na rede privada. 

Professor da UFMG e presidente da Sociedade Brasileira de Bioética, o infectologista Dirceu Greco reforça que o número de casos mostra não estar na hora de relaxar. Em meio às medidas de flexibili-zação em algumas cidades,o especialista orienta cada um fazer sua parte. “É fundamental manter o distanciamento social”, alerta.

*Com informações de Cinthya Oliveira e Luisana Gontijo

 

ALÉM DISSO:

“Quando as pessoas estavam usando máscaras, a contaminação gerava casos leves. Mas, agora, os jovens estão se reunindo em festas sem a proteção. Ele chega em casa com uma grande carga viral e transmite aos familiares, que podem acabar tendo sintomas graves. Acredito que a situação será ainda mais grave em janeiro, por causa de Natal e Ano Novo”, afirma o professor da UFJF, Júlio de Abreu. O especialista também alerta para o comportamento dentro da própria residência. “Caso alguém comece a sentir sintomas, o ideal é que já use máscara em casa mesmo, para não passar o vírus para os parentes. Se divide o quarto, o ideal é a outra pessoa saia do cômodo. Tem que avisar para que todo mundo use máscara, mesmo que esteja em casa, até saber se está infectado ou não”.