O fazendeiro Adriano Chafik, acusado de mandar matar cinco trabalhadores rurais no ano de 2004, foi solto no início da tarde desta terça-feira (10). Segundo a Secretaria de Defesa Social (Sedes), ele deixou a Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, na Grande BH, por volta de 12:30.
 
A saída de Chafik estava prevista para ocorrer nessa segunda-feira (9), mas o advogado do fazendeiro, Sérgio Habib, revelou que houve um problema no alvará de soltura de seu cliente. Os nomes dos pais do acusado tinham sido impressos de forma errada, o que impediu a execução da ordem judicial. Ainda na segunda-feira, Habib tinha adiantado que Chafik iria  direto para o Aeroporto de Confins, onde pegaria um voo para a Bahia. A soltura dele foi concedida por meio de um habeas corpus, na sexta-feira (6). 
 
A prisão do fazendeiro foi determinada no dia 21 de agosto, quando ele e outros acusados de participação nos homicídios, Francisco de Assis Rodrigues de Oliveira, Milton Francisco de Souza e Washington Agostinho da Silva, também tiveram a prisão preventiva decretadas. Na ocasião, o juiz do 2º Tribunal do Júri do Fórum Lafayette, Glauco Soares considerou o pedido do promotor, Christiano Gomesque, e as sucessivas tentativas da defesa em adiar as sessões. O próximo julgamento dos réus foi marcado para o dia 10 de outubro.
 
Eles são acusados de homicídio qualificado, tentativa de homicídio e incêndio. O fazendeiro responde ainda por formação de quadrilha. As penas podem chegar até 30 anos de prisão. Um quinto réu, Admilson Rodrigues Lima, morreu no decorrer do processo.
 
O crime
 
A "Chacina de Felisburgo" aconteceu em 20 de novembro de 2004 no acampamento Terra Prometida, na fazenda Nova Alegria, em Felisburgo, no Vale do Jequitinhonha. Na ocasião, cinco trabalhadores rurais - Iraguiar Ferreira da Silva, de 23 anos, Miguel Jorge dos Santos, de 56, Francisco Nascimento Rocha, de 72, Juvenal Jorge da Silva, de 65, e Joaquim José dos Santos, de 48 - foram assassinados e cerca de 12 pessoas ficaram feridas, inclusive crianças.
 
As cinco vítimas foram executadas com tiros à queima-roupa. O fazendeiro Adriano Chafik, principal réu do processo, confessou ter participado do crime, mas poucos dias depois conseguiu, por meio de habeas corpus, responder ao processo em liberdade.
 
As famílias sem terra montaram acampamento na fazenda Nova Alegria em 2002 e tinham denunciado à Polícia Civil algumas ameaças por parte dos fazendeiros. No mesmo ano, 567 dos 1.700 hectares da fazenda foram decretados pelo Instituto de Terra de Minas Gerais (ITER) como terra devoluta, ou seja, área do Estado e que deveria ser devolvida para as famílias.
 
Quase nove anos depois da chacina, as famílias ainda vivem no assentamento e aguardam que parte da área seja desapropriada. Iniciado há 14 anos, o processo agora tramita no Superior Tribunal de Justiça (STJ).