A maternidade ainda é tabu: falar, abertamente, sobre as dores da 'função' é coisa rara. Pesquisa realizada pelo Think with Google, plataforma de tendências da gigante de busca, e divulgada neste mês, mostra que apenas uma em cada cinco mães se sente realmente à vontade para falar em público sobre o "padecer no paraíso". 

Por isso, neste domingo (12), Dia da Mães, o Hoje em Dia reúne relatos de famosas e anônimas sobre a maternidade real. Há doses de humor e de coragem, em um bom dia para reflexão sobre o tema.

Não tudo são flores

Para começar, um depoimento engraçado, mas não menos verdadeiro. Durante viagem pela Europa no mês passado, Luana Piovani, a atriz conhecida pela fama de sincerona, gravou um vídeo em que reclamava de viajar com os filhos, Dom, Bem e Liz. Assista:

Samara Felippo

No Instagram, a também atriz Samara Felippo postou um texto em que dizia que amava as filhas, Alícia, de 9 anos, e Lara, de 5, mas não amava tanto ser mãe

E complementou: "eu amo ter coragem de falar isso". "Pra mim a maternidade não é linda, lindo é o amor que nasce junto com eles e toda a parceria que é conquistada", disse na rede social.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Eu amo essa minha versão franja!! . Eu amo todas as minhas versões!! . Eu amo não permitir mais que me façam mal!! . Eu amo os amigos que me cercam!! . Eu amo minhas filhas!! Mas não amo tanto ser mãe(Boom! Polêmicaaaa🙄) . E eu amo ter coragem de falar isso!!. Eu amo não sentir mais culpa!! (To em processo) . Eu amo exercitar o não julgamento!! (To em processo) Eu amo minhas Deusas e Deuses negros!! Eu amo povo preto✊🏾 . Eu amo não competir com outras mulheres!! . Eu amo homens feministas!!! . Eu amo libertar e empoderar mulheres!! . Eu amo nao ser escrava do “padrão”!! . Eu amo o @sannaelidio ❤️ . Eu amo as mulheres que lutam ao meu lado!! Eu amo um belo porre!! Eu amo tatuagem!!! . Eu amo batom e unha vermelhos!!. Eu amo meu irmão @gladstonefelippooficial ! . Eu amo minha mãe!!. Eu amo ficar com a “xuxinha”do cabelo no pulso!! 😬 Eu amo decote!!! Eu amo dormir com ar condicionada espalhada na cama!. . Eu amo a natureza!!.. Eu amo a liberdade!! Eu amo amar tanto!!. . Eu amo me amar❤️ Me empolguei com tanto amô❤️❤️❤️❤️ . Minha franja e corte lindos por @arilettiere 🌹

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Isis Valverde

A mineira Isis Valverde, mãe de Rael, de seis meses, aprofundou ainda mais no tema e relembrou as dificuldades em ser mãe e manter um casamento saudável.

"Não tem como você chorar o dia inteiro e dar uma paradinha para transar com o marido. Você está triste. E o homem tem que entender. Mas é preciso cuidar do casamento", disse a atriz, em entrevista a O Globo. 

No seu Instagram, Isis afirmou que, ao tornarem-se mães, as mulheres sentem na "pele a pressão de uma sociedade que insiste em te anular".

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Amei poder dividir um pouco da minha experiencia como mãe com outras mulheres, amei poder falar abertamente sobre tantos assuntos que ainda bagunçam a cabeça de muita gente. Mulheres que ao se tornarem mãe, sentem na pele a pressão de uma sociedade que insiste em te anular. Você pode sim ter sua individualidade, ser uma mãe inteira e ainda desfrutar de uma relação a dois com seu marido, namorado, affair! Você pode sim e tem o direito de ser feliz e exercer a SUA maternidade singular! Afinal acredito que cada maternidade tem sua força genuína. ❤️ @elaoglobo @maricaruso @joanadale @patriciatremblais @nathaliebillio

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Luciele Di Camargo

Outra artista que desabafou é Luciele Di Camargo, mãe de Maria Eduarda, de 8 anos, e Davi, de 4. No Instagram, Luciele contou sobre seu dilema: se dedicar única e exclusivamente à maternidade ou tentar conciliar isso com outra função/trabalho? E a culpa, nos dois casos, fica onde? 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

ATENÇÃO POST IMPORTANTE! 👇🏽 3:17 da madruga e perdi o sono. Vou conversar com vcs e aproveitar para fazer uma pesquisa, que estará no story, queria muito contar com a ajuda de vcs, depois vão lá, por favor 🙏🏼 , para responder 😬. É muito importante pra mim 🤪. Vamos lá... vou abrir o meu coraçãozinho aqui, vou tentar tá? Pq não sou muito boa com as palavras e não tenho o costume de me abrir. Ultimamente tenho pensado muito no sentido da vida, nas minhas buscas, nas minhas realizações como ser humano🤔, eu estou percebendo que algumas perguntas do meu íntimo estão sendo cada vez mais pertinente e permeando minha mente constantemente, então resolvi dividir com vcs, pq a decisão q tomarei terei que contar muito vcs. Estou vivendo um dilema que muitas mães vivem... Me dedicar única e exclusivamente a maternidade ou tentar conciliar isso com outra função/trabalho? Por quer? Porque um dia me culpo por passar a semana toda e olhar para trás e ver que não fiz NADA pra mim, outro dia me culpo pq deixei as crianças e passei o dia fora, resolvendo zilhões de coisas. Sei q isso pode parecer bobeira, muitas aqui fazem de um tudo e tiram de letra, mas outras tbm sofrem, assim como eu to sofrendo, sério gente, to sofrendo com isso e tudo o que eu quero é o equilíbrio. Não quero chegar lá na frente e culpar meus filhos por ter me deixado de lado, não quero chegar la na frente e não me reconhecer ou não reconhecer o que fiz ou se fiz, ou não fiz. Tá entendendo? Amo demais e agradeço a Deus por poder vivenciar a maternidade tão constantemente e ver e participar da vida dos meus pequenos diariamente, porém, penso 🤔 ... e eu? E quando eles crescerem vou fazer o quê? Terei tempo de recomeçar ou o bonde já vai ter passado? Além de tudo, queria fazer algo que me satisfizesse e que eu pudesse ajudar, de alguma forma, outras pessoas. Já ouvi muito de vcs q eu deveria ter um canal no YouTube 😱. Daí eu penso, poxa mais um, caraca, 🙄. Rsrsrsrsr. Então agora chegou a hora de vcs me ajudarem... corre lá no story e me responde a pesquisa, por favorzinho . 🥰🤪😘 P.S: adoro a minha boca gorda de quando durmo rsrsrs 🤦🏻‍♀️

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Adele e Pitty

As cantoras Adele e Pitty também opinaram sobre o assunto. Em 2017, em entrevista para a revista Vanity Fair, a inglesa - mãe de um menino de 7 anos - afirmou que o puerpério foi o período mais difícil da sua vida. 

"Eu amo meu filho mais do que tudo nessa vida. Mas, todo dia, se eu tenho um ou dois minutos, eu fico pensando em como seria bom se eu pudesse simplesmente fazer o que eu quisesse na hora que quisesse", desabafou a cantora a respeito da maternidade em entrevista para a Vanity Fair em fevereiro.

Para a baiana Pitty, mãe de Madalena, de 2 anos, as pessoas esquecem que as mães são mulheres reais e não santas. "O puerpério é uma coisa sobre a qual ninguém fala. Você está sem dormir, seu corpo está diferente, num tsunami hormonal. Ao mesmo tempo você está fascinada e apaixonada por aquela pessoa ali com você", afirmou, em entrevista a Mônica Bergamo.

Cris Guerra: maternidade é esporte radical

A escritora e palestrante de comportamento Cris Guerra é mãe de Francisco, de 12 anos. Neste vídeo, ela traz reflexões sobre vulnerabilidade da maternidade. Cris está lançando "Escrever uma árvore, plantar um livro - Crônicas sobre a Maternidade", obra que passeia, com humor e poesia, por assuntos como culpa, mercado de trabalho e o jogo de cintura que a maternidade pede, expondo seus pontos de vista, mas se colocando sempre como aprendiz. Saiba mais sobre a publicação aqui.

Leidiane Gomes: meu filho quase comeu cocô

A advogada Leidiane Gomes, 31, é mãe do Bento, de 11 meses. Em um vídeo bem-humorado, a jovem conta que se preparou para o pior, mas que aos poucos entendeu que ouvir menos os pitacos dos outros e mais a si mesma é a melhor fórmula para uma boa maternidade real.

Kátia Parreiras: e esse tal "instinto materno"?

A assistente social Kátia Parreiras, 39, relembra situações difíceis que viveu durante a criação dos dois filhos, Guilherme, de 19, e Breno, de 10, que colocaram em xeque o tal "instinto materno". Ela também conta do desafio de equilibrar as funções de mãe, mulher e profissional. 

 

Mini-entrevista com Mirella Patrícia Souza, psicóloga clínica sistêmica, especialista em terapia de casal e família.

HD: A maternidade ainda é um tabu. Se uma mãe fala abertamente sobre as dificuldades da maternidade é considerada uma mãe ruim. Por que isso acontece?

MPS: A mulher protagonizou mudanças sociais e profissionais nessas últimas décadas que impactaram muito no seu papel de mulher e na maternidade. Idealizações, como a de amor incondicional e abnegação, relacionadas a "entregar tudo por alguém", são associadas ao "ser mãe". 

Porém, esse conceito existiu na época em que as mulheres não tinham outra ambição além de serem boas esposas, organizando o lar, cuidando da família e limpando a casa. 

Triunfar hoje para a mulher implica em ser boa mãe, ter uma profissão, ser independente em nível emocional e econômico, ter hobbies, fazer exercícios e ter um parceiro que valorize seu esforço e que esteja junto nas tarefas domésticas e na educação dos filhos.

Nesse modelo de expectativas e exigências altíssimas, quando essa mãe se dá conta de que não está cumprindo com maestria o que seria sua prioridade (a atenção e dedicação exclusiva a seu filho), ela acaba se reconhecendo de uma maneira muito negativa. 

É a “síndrome da péssima mãe”, na qual a mulher acredita que não está sendo uma boa mãe, já que não cumpre com as expectativas impostas pela sociedade.

HD: Como as mães podem vencer essa "síndrome"? 

MPS: É fundamental que as mães não se reconheçam e não se valorizem em função da quantidade de tempo que se dedicam à maternidade. O que deve ser cuidado e priorizado é a qualidade desta relação. 

Não há culpa em compatibilizar maternidade com o trabalho ou por querer ler um livro ou sair para dar uma corrida. 

Aliás, os filhos são mais felizes se têm uma mãe satisfeita consigo mesma. 

Não se engane convencendo-se de que ser mãe é suficiente para se sentir completa.