As ocorrências de maus-tratos a animais em Minas Gerais cresceram 25% nos últimos cinco anos. De janeiro a novembro deste ano foram 1.833 registros nas delegacias do Estado. No mesmo período de 2015 foram 1.292.

cachorro cães abandonados

Pets abandonados não se tornam agressivos e podem se adaptar a novo lar

As denúncias que levaram a abertura de investigação também explodiram. Há três anos, os órgãos de segurança receberam 3.961 queixas de violência física contra os animais ou de abandono. Até novembro deste ano foram 4.564 reclamações protocoladas. Os dados são da Secretaria de Segurança Pública (Sesusp). Segundo especialistas em meio ambiente, somente fiscalizações mais intensas e punições mais rígidas podem colocar um freio nessa situação. 

Dentre os principais crimes cometidos contra os animais está o abandono. E nessa época do ano, quando os tutores viajam, o quadro tende a piorar. O Parque Estadual da Serra do Rola-Moça, terceiro maior em área urbana do país, é um dos destinos escolhidos por quem resolve simplesmente se desfazer dos bichinhos de estimação. 

Educadora ambiental da unidade de conservação, Sabrina Resende explica que, durante todo o ano, o local registra ocorrências do tipo, que, em dezembro, a situação se agrava. “Acredito que, pelo fato de as pessoas viajarem nesta época, muitas acabam deixando os animais para trás. Mas não é só por causa disso. Quando o cão está velho ou doente também é abandonado”.

Solidão

Soltos no Rola-Moça, os animais passam fome, sede e frio. “Não podemos alimentá-los”, lamentou Sabrina. Outro agravante, diz a educadora ambiental, é que os cães são um risco para a fauna local. 

“O cachorro doente pode atingir outros animais. Com fome, a caça aos bichos abandonados é aflorada e, por isso, não sabemos o nível de contato deles com outros animais. A situação acaba provocando desequilíbrio”, alertou.

Por lei, maltratar animais é crime e pode render de três meses a um ano de detenção e pagamento de multa. A punição, contudo, pode ficar mais rigorosa. Nesta semana, comissão especial da Câmara dos Deputados aprovou um substitutivo para aumentar o tempo de prisão de quem comete o delito. Pelo texto, a pena passará a ser de um a quatro anos de reclusão, em regime fechado. A multa é mantida. 

O advogado criminalista Tiago Resende acredita que a alteração vem em bom momento. “Estamos vivenciando um momento de maior valorização dos animais, que, antigamente, eram tratados como objetos. O aumento da pena seria mais uma forma de coibir a violência”.

Na avaliação do veterinário e professor das Faculdades Kennedy, Bruno Generoso, o Estado deveria intensificar as vistorias para coibir violência e o abandono de animais. “Além disso, é importante endurecer a execução de pena”

Campeões do abandono

Os vira-latas são os campeões de abandono no Parque do Rola-Moça. Soltos na unidade de conservação, muitos acabam sendo mortos por predadores. “Como ficam fragilizados, não têm força para fugir”, frisa a educadora ambiental do local, Sabrina Resende. Funcionários da unidade de conservação catalogam os cães e divulgam as imagens na página do Facebook do parque. “Nossa intenção é que eles sejam adotados. Infelizmente, somente os cães de raça têm procura”. 

O Rola-Moça faz divisa com quatro cidades – BH, Ibirité, Brumadinho e Nova Lima. Só a capital tem o serviço de carrocinha. Quando os pets são flagrados na área pertencente à metrópole, são recolhidos e levados para adoção. Nos outros espaços, permanecem abandonados. A direção do parque faz campanhas alertando que abandono de animais é crime. 

O Departamento Estadual de Investigação de Crimes contra o Meio Ambiente (Dema) desenvolve projeto sobre adoção de animais vítimas de maus-tratos resgatados durante operações policiais. Interessados podem ligar (31) 3207-2500 ou ir até a unidade (Bernardo Guimarães 1.571, no Lourdes, Centro-Sul de BH)

(*) Com Lucas Eduardo Soares