Prevenção de doenças e economia aos cofres públicos. Essas são as apostas do Sistema Único de Saúde (SUS) ao oferecer práticas integrativas. Em Belo Horizonte, a estratégia dá certo, garantem os profissionais da rede pública. De cada dez pessoas adeptas do lian gong, terapia da medicina tradicional chinesa, por exemplo, pelo menos sete relatam ter reduzido a ida aos postos municipais, conforme pesquisa realizada pela prefeitura. 

Os métodos alternativos são cada vez mais valorizados pelo Ministério da Saúde. Atualmente, 29 procedimentos são ofertados, sendo que 24 passaram a fazer parte do programa nos últimos dois anos. Os benefícios das práticas são tema da última reportagem da série sobre os 30 anos dos SUS, publicada desde terça-feira (6) pelo Hoje em Dia.

Na capital mineira, os usuários têm acesso a cinco. São elas: acupuntura, homeopatia, medicina antroposófica, lian gong e terapia comunitária integrativa. As técnicas são ofertadas por meio de um projeto chamado Prohama, instituído em 1994 na rede pública de saúde da metrópole.

Evolução

Os pacientes que praticam a medicina integrativa garantem melhora significativa no tratamento. Que o diga Tânia Saldanha Mendes, de 58 anos, que há três encontrou no lian gong uma opção para as dores no corpo e tonturas recorrentes.

Com o tempo, ela afirma ter apresentado menos sintomas que exigissem a procura por um médico no posto de saúde. “O equilíbrio melhorou bastante. Fez um bem enorme para o meu corpo, a minha mente e meu espírito”, comemora.

“É uma prática integral de promoção à saúde, com resultados práticos, uma política pública acertada”, afirma a coordenadora do programa que oferece a técnica oriental em BH, Luzia Hanashiro. Os exercícios são ofertados em 179 pontos próximos a postos de saúde.

A homeopatia também se destaca na rede municipal. Para Marlene Sacramento, foi o tratamento com medicamentos naturais, associado à acupuntura, que deu fim às dores crônicas nas pernas e coluna. A mulher de 69 anos é atendida há três no Centro de Saúde Palmeiras, Oeste da capital. “É incrível como mudou a minha vida”.

O resultado da assistência também agradou a dona de casa Graziella Grace, de 48 anos. Desde 2017, ela faz consultas com homeopata no posto de saúde para tratar crises de enxaqueca e se diz satisfeita. “Ainda sinto dores de cabeça, mas são menos frequentes e com menor intensidade”, conta.

Além dos ganhos para os usuários, o presidente da Sociedade Brasileira de Fisioterapia, Wiron Correia Lima Filho, destaca os benefícios das terapias alternativas até mesmo para o próprio SUS. “Elas custam menos para o governo e produzem resultados mais eficazes”, reforça.

Claudia Prass homeopata PBH
"Atendimentos estão crescendo", diz Cláudia Prass

Procura

Mais de 2,8 mil atendimentos por meio das práticas integrativas do SUS são feitos por mês em Belo Horizonte. Atualmente, 25 postos de saúde e dois Centros de Reabilitação (Creabs) da capital oferecem homeopatia, acupuntura e medicina antroposófica.

A demanda pelos serviços tem aumentado nos últimos anos, frisa a homeopata Cláudia Prass, que trabalha na rede pública de BH. Ela afirma que a procura cresce porque os pacientes estão buscando tratar a totalidade dos sintomas causados pelas doenças, além de terem oportunidade de prevenir enfermidades sem pagar nada. “É a intervenção terapêutica de forma integral”, destaca.

Em movimento

Uma das práticas mais procuradas é justamente o lian gong. A técnica chinesa envolve exercícios que movimentam os músculos, equilibrando o corpo e a mente, além de ajudar a prevenir problemas de postura.

Duas vezes por semana, um grupo de moradores se encontra no Centro de Referência de Assistência Social (Cras) Arthur Sá, no bairro União, na região Nordeste, para participar das atividades.

Terezinha Trindade Ávila, de 90 anos, é uma das mais animadas. “Até meu sono melhorou e estou conseguindo dançar melhor”, diz. 

“A ginástica melhora as dores crônicas, postura, qualidade do sono e permite a socialização”, completa a fisioterapeuta da rede pública Nayara Carolina Mendes.

SUS 30 anos

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