O temor do Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya, fez disparar as reclamações sobre criadouros do mosquito na capital. As denúncias de potenciais focos do vetor mais que dobraram na metrópole em menos de 11 meses. De janeiro a 12 de novembro foram mais de 5,2 mil queixas – média de 16 por dia.

Os principais pedidos de vistoria são para verificar água parada em lotes vagos abarrotados de entulho. As solicitações tendem a aumentar ainda mais em meio à temporada de chuva, que já se iniciou e só termina em março de 2020. Até o momento, só a dengue deixou 115 mil belo-horizontinos doentes. Os óbitos já somam 30.

A região Nordeste lidera o ranking de notificações da doença com 19 mil registros. Em rápido giro pela regional não é difícil encontrar moradores que já tiveram a enfermidade, além de flagrantes de espaços tomados por lixo, capazes de favorecer a proliferação do inseto.

dengue lote

Rogério mostra entulho em lote da PBH no bairro Goiânia; Executivo informou que vai antecipar a limpeza do terreno, que estava prevista para dezembro

O técnico em equipamentos de ginástica Rogério Alves Raimundo, de 43 anos, convive diariamente com o perigo. Ele mora em frente a um terreno, que pertence à Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), na rua Jovelino Lacerda, no bairro Goiânia. 

Lá, há diversos recipientes que podem acumular água da chuva. “Aqui é possível encontrar de tudo, de garrafa até geladeira. Como resultado, já peguei dengue duas vezes e praticamente todos da minha família também”, disse, bastante revoltado.

Na capital, 2,2 mil casos de dengue estão sendo investigados; em Minas, 484 notificações da doença (confirmações e suspeitas) foram registradas neste ano, com 153 mortes até o momento

“Somos reféns do medo de contrair dengue”, reforça a agente comunitária Eliete Cristina da Sena, de 33 anos, ao falar da regional Nordeste. Ela conta que já teve dengue três vezes e vive com receio de contrair a enfermidade novamente.

“Meu marido pegou a doença duas vezes e meu filho, que na época tinha apenas nove meses, também já ficou doente”, conta a mulher, que mora no bairro Vista do Sol.

Em Minas, focos do mosquito que transmite dengue foram identificados acima dos limites aceitáveis em 242 cidades. Ao todo, são 7 milhões de pessoas em situação de alerta contra o mosquito. Maior parte dos focos está dentro das casas. Os principais criadouros do Aedes nesses municípios são caixas d’água, pratinhos de plantas, pneus e lixo

Falta de educação

A situação é agravada pois os próprios moradores fazem o descarte irregular do lixo. “Muita gente não tem consciência e deixa caixa d’água aberta, joga recipiente que acumula água na rua. E esses pequenos gestos ajudam a aumentar os focos. Faço a minha parte, mas o problema é que não depende só de mim”, lamenta Luis Ricardo Ramos de Oliveira, marido de Eliete.

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