O medo de nova tragédia voltou a rondar moradores e trabalhadores de Venda Nova durante as chuvas registradas ontem em Belo Horizonte. Na avenida Vilarinho e na rua Padre Pedro Pinto, o nível da água subiu e, por alguns instantes, deixou lojistas e usuários do transporte público em pânico. Em 15 de novembro de 2018, três pessoas morreram após tempestade na região.

Por cerca de uma hora choveu forte na capital e o local, que já possui longo histórico de alagamentos, foi novamente castigado. Tampas de bueiros foram arrancadas, carros tomados pela água e pedestres obrigados a procurar abrigo em pontos mais altos para se proteger da enxurrada.

Apenas em Venda Nova, o volume de precipitações foi de 53,2 milímetros (mm), mais que o dobro do aguardado para maio. A média esperada para o mês, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), era de 28,1 mm.

Em um ponto de ônibus da Vilarinho, o pintor Paulino Pereira, de 37 anos, relatou a tensão ao assistir o nível de água subindo. “Aqui, sempre que a chuva forte começa, você já tem que pensar num plano de fuga. Quase precisei subir em cima de um coletivo”.

Poucos metros à frente, a doméstica Cirlene Magalhães, de 44, também precisou procurar abrigo, enquanto aguardava uma condução para voltar para casa. “Já vi gente perdendo carro e até morrendo exatamente aqui”, relembra. “Tem que sair correndo. Do contrário, a água leva mesmo”, alerta.

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“Tem que sair correndo. Do contrário, a água leva mesmo”, diz Cirlene Magalhães

Rotina

Na rua Padre Pedro Pinto, a história se repete. Em uma esquina em frente a uma marmoraria, a água invadiu lojas, derrubou motos e chegou a entrar dentro de carros que estavam estacionados.

Lorrayne Almeida, funcionária da empresa, conta que o problema é antigo e já não assusta quem trafega pelas redondezas. “A chuva de hoje (ontem) foi até tranquila perto do que já aconteceu aqui”, diz. Segundo ela, a enxurrada já invadiu o escritório em outras ocasiões, deixando prejuízos. 

Por nota, a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) informou que os estudos hidrológicos e hidráulicos para a obra da avenida Vilarinho, assim como as soluções de micro e macrodrenagem dos córregos que compõem a bacia do Isidoro estão em desenvolvimento e que “mais informações serão divulgadas em momento oportuno”. 

Segundo a administração municipal, “a intervenção vai contribuir na prevenção de enchentes na região e os investimentos são de cerca de R$ 34
milhões”. Os recursos foram repassados pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC-2). O prazo de execução é de 540 dias.

Veja vídeo feito no momento dos alagamentos na quarta-feira:

 


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