Após oito meses de investigações, uma megaoperação está sendo realizada nesta terça e quarta-feira em Porteirinha, no Norte de Minas, para combater o tráfico de drogas. Até agora, 35 pessoas foram presas durante a  "Operação Hidra", sendo 13 delas em flagrante, portando drogas e armas. Outros 12 detidos seriam líderes do tráfico de drogas na região. 
 
O Ministério Público Estadual (MPE) e a Polícia Militar estão trabalhando em conjunto no cumprimento de 55 mandados de busca e apreensão, além de 44 de prisão. Segundo o promotor criminal do MPE em Montes Claros, Bruno Oliveira Muller, todos os mandados de apreensão foram cumpridos e grande quantidade de dinheiro, armas e drogas encontrada. "A forma como o dinheiro estava acondicionado na maioria dos imóveis deixa claro que é proveniente do tráfico, ou seja, de forma ilícita. Em uma das residências, por exemplo, foi encontrado R$ 7.500 em notas de R$ 10, R$ 5 e R$ 2", afirmou o promotor.
 
Ele não citou nomes dos envolvidos com o esquema mas ressaltou que a população do município, de aproximadamente 35 mil habitantes, se surpreendeu ao saber que entre os traficantes presos estavam pessoas conhecidas da sociedade local e de classe média alta. Isto, segundo o promotor ajuda a desmistificar o perfil dos envolvidos com o tráfico, geralmente associado a pessoas de classe média baixa e moradores de vilas e favelas. A
 
Várias mulheres também estariam entre os presos na operação. "Foi uma investigação muito proveitosa especialmente para uma comarca pequena como a de Porteirinha. Conseguimos a expedição de 35 mandados de prisão e chegamos aos líderes do tráfico na região", disse Muller.
 
Mas o promotor reconhece que ainda não foi possível acabar com o tráfico no município. "Infelizmente, o tráfico está enraizado em todo o Estado e já pode-se dizer que é uma epidemia, uma doença crônica que atinge toda a sociedade, mas foi uma ruptura em Porteirinha". Bruno Oliveira ressaltou ainda que a operação é muito importante também para a questão da prevenção, ou seja, serve de exemplo e contribui para coibir o crime. "Se as pessoas se sentirem intimidadas diante da postura do poder público a operação já é uma grande vantagem", destacou.