A Justiça condenou na noite desta quinta-feira (31) os seis réus acusados matar um torcedor cruzeirense por formação de quadrilha. João Paulo Celestino Souza e Marcos Vinícius Oliveira de Melo, o Vinicin, foram condenados ainda por homicídio duplamente qualificado pela morte de Otávio Fernandes. O primeiro pegou 15 anos e dez meses e, o segundo, foi condenado a 17 anos, ambos em regime fechado. Os outros quatro réus receberam a sentença de dois anos de prisão em regime aberto.

Já sobre a acusação de tentativa de assassinato de Rodrigo Oliveira todos os réus foram inocentados.
 
O segundo dia de julgamento dos membros da Galoucura teve início às 9h15 e foi marcado pelo depoimento dos réus. A maioria dos acusados negou participação na briga com os cruzeirenses e envolvimento na morte do torcedor cruzeirente. Apenas, João Paulo Celestino Souza confessou ter dado um chute nas costas de Otávio Fernandes. 
 
Depoimentos dos réus
 
O primeiro a ser ouvido foi Cláudio Henrique Sousa Araújo, o Macalé. Acusado de tentativa de homicídio e formação de quadrilha, ele alegou que a confusão teve início com uma série de agressões que teriam partido dos cruzeirenses, que estariam do lado de fora do Chevrolet Hall, onde acontecia um evento de luta. O réu disse ainda que não houve nenhuma briga.
 
Em seguida, foi a vez de Eduardo Douglas Ribeiro Jesus que responde por formação de quadrilha. O réu também negou que tenha acontecido uma briga no local e que já respondeu por uma acusação de tentativa de homicídio que foi desclassificada para lesão corporal. Em seu depoimento, Eduardo Douglas ressaltou ainda que desde 2012 deixou de ser integrante da Galoucura.
 
Já João Paulo Celestino Souza, condenado por formação de quadrilha e homicídio qualificado, confessou ter dado um chute nas costas do torcedor cruzeirense, Otávio Fernandes. Além disso, ele se reconheceu nas imagens gravadas pelas câmaras de vigilância. O membro da Galoucura disse ainda que ele e os amigos iriam embora depois da luta para evitar confronto com os cruzeirenses e negou envolvimento em outras brigas de torcidas.
 
Acusado de formação de quadrilha, o réu Josimar Júnior de Sousa Bastos foi o quarto a ser ouvido. Em seu depoimento, Josimar afirmou que ao sair do evento de luta, ele e os amigos foram recebidos pelos cruzeirenses que lhe atiraram garrafas e cavaletes de madeira. O réu faz parte da Galoucura há cinco anos e já se envolveu em brigas de torcidas em dias de jogo.
 
O quinto réu a depor foi Marcos Vinícius Oliveira de Melo, o Vinicin, também condenado por formação de quadrilha e homicídio qualificado. Ele negou ter agredido Otávio Fernandes e Rodrigo Oliveira, mas admitiu ter brigado com cerca de dez torcedores rivais. Segundo o réu, Otávio já estava caído no chão e negou que a Galoucura seja uma quadrilha, mas disse que as brigas entre as torcidas do Atlético e do Cruzeiro são inevitáveis quando se encontram.
 
O último réu a ser ouvido foi Windsor Luciano Duarte Serafim, que afirmou não ter brigado com ninguém. Além disso, o réu disse ter saído do táxi para a sede da Galoucura, onde iria esperar os demais amigos chegarem do evento de luta. Ele ressaltou ainda que a Galoucura não é uma quadrilha. 
 
Entenda o caso
 
No dia 27 de novembro de 2010, Otávio Fernandes e outros torcedores do Cruzeiro foram cercados por integrantes da Galoucura, na avenida Nossa Senhora do Carmo, no bairro São Pedro, Região Centro-sul de Belo Horizonte. Os cruzeirenses conseguiram correr, mas Otávio foi espancado até a morte por, pelo menos, 12 atleticanos. 
 
De acordo com a denúncia apresentada pelo Ministério Público, os agressores estavam em um evento de luta livre no Chevrolet Hall. Ao ficarem sabendo da chegada de membros da torcida rival, o grupo teria saído da casa de shows e agrediram cinco torcedores, “com ações extremamente violentas”, utilizando paus e cavaletes, e que culminou na morte de Otávio. Câmeras de vigilância registraram o fato e a crueldade dos torcedores alvinegros. 

Atualizada às 22h10