Um gesto de solidariedade fez renascer a esperança em Thauan Kairo Ferreira, de 10 anos. O menino, que pedia dinheiro em semáforos da capital e tinha baixo rendimento nos estudos, ficou conhecido nesta semana depois de receber, de presente de militares, material escolar. Agora, cheio de expectativas, ele quer dar um gás no aprendizado. Dentre os desejos, um desponta como meta: tornar-se policial.

Os olhos do garoto se encheram de lágrimas ao relembrar a ação feita pelos agentes de segurança na última terça-feira. No dia, os cabos Urgel Sales e Renato Barçante, do 5º Batalhão da PM, entregaram a ele doações de colegas da corporação. A dupla aproveitou para aconselhar o estudante a se dedicar às aulas e não mais pedir dinheiro nas ruas do bairro Buritis, Oeste de BH.

Ontem, os “anjos” se reencontraram com a criança. Emocionado com a atitude dos agentes, Thauan garantiu que não ficará nas vias públicas e explicou porque pediu de Natal materiais escolares, quando poderia ter escolhido qualquer brinquedo. “Eu e minhas irmãs não tínhamos nada para estudar. Agora estou animado”.

Preparando-se para o 5º ano do ensino fundamental, Thauan já separou os cadernos estampados e os lápis de cor. Enquanto aguarda o início das aulas, terá como única ocupação se divertir com os 12 primos que vivem com ele. 

A família formada por 15 pessoas – 13 crianças e as mães – mora em um terreno que seria da prefeitura de BH no bairro Havaí, também na zona Oeste. A única renda são os cerca de R$ 300 do Bolsa Família. “É o que ajuda”, afirma a mãe do garoto, a dona de casa Priscila Ferreira Lima, de 30 anos.

“Gosto de brincar de bola e andar a cavalo com meu primo Ezequiel e, quando crescer, quero ser policial” (Thauan Kairo, de 10 anos)

Gesto

A ajuda ao garoto começou em novembro do ano passado, quando a diretora da escola onde ele estuda pediu que os policiais do Programa Educacional de Resistência às Drogas (Proerd) conversassem com o aluno sobre o desempenho nas aulas.

Nas redes sociais, o gesto dos policiais viralizou; a publicação no perfil do Hoje em Dia no Facebook foi vista por pelo menos 50 mil pessoas

Cartinha

Na ocasião, conforme o cabo Sales, o menino teria ficado receoso em contar o motivo de não estar indo bem. “Ele cruzou os bracinhos. Não falou naquele momento, mas pedi que escrevesse uma carta ao Papai Noel”, contou o policial. Porém, Thauan disse que não acreditava no “Bom Velhinho”. “Mesmo assim, pedi que escrevesse, pois alguém conseguiria ouvir”, relembrou o militar. 

Ao receber a carta pedindo materiais escolares, fraldas e cesta básica, os policiais se mobilizaram e fizeram a entrega na singela residência da família. “Nos últimos dias, passei no lugar onde ele costumava ficar (semáforo) e não o vejo mais. Quando chego aqui (na casa) e pisco a sirene, ele logo vem falar com a gente”, contou o cabo Sales.

 

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