SANTA CRUZ DE MINAS – Elaine dos Santos muda de cidade toda hora. Basta ir ao fundo da casa que ela já está em São João del-Rei. A passagem para a sala, poucos passos à frente, representa uma “viagem” até Santa Cruz de Minas. Ela mora exatamente na divisa entre os dois municípios mineiros, no Campo das Vertentes.

A questão fronteiriça é um dos muitos problemas de Santa Cruz, que acaba de ser confirmado como o menor município do país em extensão territorial, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Sua área total é de 3,5 km2, menor que muitos bairros de Belo Horizonte.

Em poucos minutos, é possível percorrer toda a cidade, que era um antigo bairro de Tiradentes – outra cidade vizinha – até 1995, quando ganhou sua emancipação. A bicicleta é o principal meio de transporte, e um dos poucos pontos turísticos é a cachoeira de Bom Despacho, onde está localizado o primeiro marco da Estrada Real.

O tamanho diminuto não impede que Santa Cruz de Minas apareça na lista dos “grandes”, como uma das cidades de maior densidade populacional. São pouco menos de 8 mil habitantes, mas a proporção é de 2 mil moradores por quilômetro quadrado – São Paulo, por exemplo, tem 7 mil por km2. “Aqui, todo mundo se conhece. É por isso que prefiro ficar aqui na cachoeira, vendendo meus produtos. É melhor, para evitar fofoca”, afirma Ademar Vale. A queda d’água fica à beira de uma estrada de acesso a Tiradentes.

 

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Violência

Quem espera a tranquilidade das cidades interioranas tem motivo para ficar assustado: em 2007, Santa Cruz de Minas estava na segunda colocação entre as cidades de Minas com maior taxa de homicídio juvenil, perdendo apenas para Betim.

A violência continua sendo motivo de preocupação. “Há muito malandro aqui. Na cachoeira, sempre aviso para subirem em turma, porque assalto é muito comum”, alerta Vale. Um batalhão da Polícia Militar foi instalado recentemente na cidade para ajudar a Polícia Civil. A prefeita Sinara Campos, recém-empossada, garante que os casos vêm diminuindo.

Na avaliação dela, o tráfico de drogas é a principal causa da violência. “Antes, éramos um bairro de Tiradentes e havia um certo policiamento. Depois da emancipação, a criminalidade aumentou. Nosso objetivo é criar políticas sociais”, diz a prefeita
 
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