Outras vítimas de racismo agredidas pelo mesmo grupo que insultou jovem negra que postou foto com o namorado branco no Facebook, em Muriaé, na Zona da Mata, foram identificadas. O delegado responsável pelo caso, Eduardo Freitas da Silva, afirmou essas pessoas chegaram a ser contactadas, porém, preferiram não se expor.

Até o momento, a Polícia Civil (PC) levantou cerca de 50 pessoas que teriam promovido insultos racistas contra a garota a mineira. "Não podemos afirmar ainda se esse grupo age de forma organizada. Mas foi constatado vários casos em que um comenta e os mesmos o seguem", explicou o delegado.

Freitas contou ainda que pretende unir o máximo de informações sobre os perfis "fakes" e enviar para o escritório do Facebook em Londres com o objetivo de que até mesmo esses usuários sejam identificados pela investigação. A maioria dos suspeitos são da cidade de São Paulo e possuem entre 15 anos e 20 anos.

A jovem foi à delegacia prestar queixa no dia 26 de agosto e o inquérito foi instaurado no dia seguinte. Em depoimento, a jovem alegou que não conhece nenhuma das pessoas que postou comentários racistas em sua página. O namorado dela também foi ouvido e disse à polícia que tentou entrar em contato com os usuários que insultaram a sua namorada na rede social. “Ele pediu para que as pessoas não falassem mais aquelas coisas. Mas, como a foto postada estava aberta a todos os usuários do Facebook, pessoas de todo o Estado tiveram acesso ao perfil dela e ele não teve êxito. Já identificamos até uma outra página do Facebook que usa a foto da vítima. Essa página foi criada apenas para insultá-la”, afirmou.

Relembre o caso
 

A jovem negra de 20 anos que foi vítima de racismo no Facebook após postar uma foto com o namorado branco de 18 anos, decidiu registrar ocorrência na Polícia Civil de Muriaé, na Zona da Mata mineira.
 
Um dos perfis que teria insultado a jovem pelo Facebook, possivelmente fake, o Capivara Vuadora, postou comentários como: "Onde comprou essa escrava?", que chegou a ter quase 30 curtidas; "Me vende ela" e "Café com leite". A menina ainda foi alvo de outras mensagens preconceituosas como "Tipo assim.. eu acho que você roubou o branco pra tirar foto", "Um branco e uma negona", "Se 'meche' vira nescau" e "Parece até que estão na senzala".
 
O caso ganhou repercussão por meio de um perfil intitulado "Pretinho do Poder", que publicou um "print screen" da imagem e os comentários racistas pedindo por justiça. A publicação teve mais de 19 mil compartilhamentos e quase 150 mil curtidas, além de milhares de mensagens de apoio ao casal.