Metade das pessoas que retiram ingressos para passeios nos parques públicos de Belo Horizonte não comparece no dia e horários marcados. Em algumas unidades, o índice chega a 75%, como é o caso do Real, Nordeste da capital. Um dos mais procurados, a desistência para o Municipal, no hipercentro, é de 57%.

Os dados foram compilados pela Fundação de Parques Municipais e Zoobotânica desde a reabertura das áreas verdes, iniciada em 29 de agosto. Até o momento, nove locais voltaram a receber público.

A retomada agradou a muitos moradores que vão até os espaços para passear ou praticar exercícios físicos. É o caso da aposentada Celina Ferreira, de 68 anos, que considera uma “injustiça quando uma pessoa marca e não vai”.

Frequentadora assídua do Parque Municipal, a mulher conta que procura fazer caminhada no local. Mas, desde 29 de agosto, só conseguiu entrada em um fim de semana. “Nos outros sábados e domingos o sistema acusava que a capacidade já estava esgotada”.

Para ela, o problema pode também estar na impossibilidade de desmarcar o agendamento em caso de imprevistos. “Não tem essa opção na plataforma”, comenta.

O cancelamento, segundo a Fundação de Parques Municipais, só pode ser feito até 48 horas antes da visita, que é quando o usuário já pode retirar o ingresso. De acordo com o órgão, esse é o critério da tecnologia utilizada para as marcações, fornecida por terceiros.

Nos próximos dias, as pistas de skate nos parques Lagoa do Nado (Norte) e Mangabeiras (Centro-Sul) devem ser liberadas. Será necessário agendamento

Inclusive, o prazo de dois dias foi a opção encontrada para reduzir o índice de desistência. Antes, o frequentador poderia buscar a entrada em um prazo maior. “Quem deseja visitar um parque no sábado só consegue retirar ingressos a partir de quinta-feira, não mais na segunda, permitindo um melhor planejamento da visita e maior aproveitamento de ingressos”, informou a fundação.

Desrespeito

O professor Jordan de Souza Medeiros, de 27 anos, acredita que o não comparecimento é um desrespeito ao espaço público. “Não é uma surpresa, isso é muito comum entre nós, brasileiros, ainda mais que é gratuito. Agenda e no dia não vai”, comenta ele, que de duas a três vezes por semana vai ao Parque Municipal andar de bicicleta.

Quem faz a marcação é a esposa dele. “Ela fica brava, porque tem dia e horário para começar a inscrição, mas não inicia na hora e ela tem que ficar atualizando a página, pois esgota rápido. Se as pessoas conseguissem cancelar, isso não aconteceria”.

Ainda segundo a Fundação de Parques Municipais, as estratégias estão sendo ajustadas. Agora, por exemplo, à medida que percebem que os usuários não foram em determinado horário, novos ingressos para o dia são liberados no sistema. Porém, ninguém pode entrar sem ter feito o agendamento on-line. 

(*) Com Renato Fonseca e Renata Galdino