Com o funcionamento ainda em teste, o BRT/Move sentiu, nesta terça-feira (11), as consequências de um problema no metrô da capital. Em pleno horário de pico da manhã, uma falha de sinalização forçou os trens a reduzirem a velocidade para 25 km/h. A alternativa para centenas de passageiros que estavam na Estação São Gabriel foi recorrer ao novo sistema de transporte de BH.

Com isso, o ponto para embarque e desembarque de usuários do ônibus articulados ficou lotado. A cena que diariamente é presenciada nos metrôs – pessoas se espremendo para conseguir entrar no vagão – se repetiu no BRT/Move.

A situação pegou a BHTrans de surpresa. Embora o planejamento previsse apenas 18 ônibus para atender as três linhas troncais, outros cinco veículos foram disponibilizados para dar conta da demanda. Todos os articulados eram da linha 83D, que faz viagens até as avenidas Santos Dumont e Paraná, no Centro, sem parar na Cristiano Machado.

Outra estratégia para “esvaziar” a Estação São Gabriel foi flexibilizar o horário dos ônibus. As medidas foram tomadas até as 10 horas.

TÁTICAS

Quem não estava próximo da Estação São Gabriel, como a publicitária Danielle Carvalho, ficou refém do metrô. Ela faz o trajeto entre as estações 1º de Maio e Central diariamente. “Por mais de 50 minutos não passou nenhum metrô para o Centro. Quando eles voltaram a passar, não era possível acessá-lo porque havia muitas pessoas no local”. Ela acabou pegando um trem até a Vilarinho para conseguir fazer a viagem, que durou uma hora a mais do que de costume.

A mesma tática foi utilizada por Carine Mathias, que esperou por mais de uma hora na Estação Santa Inês. “Atrasou meu compromisso”.

Em nota, a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) informou que os atrasos começaram às 7h30, comprometendo a operação no trecho entre Waldomiro Lobo e São Gabriel. O órgão nega a interrupção do serviço até a correção das falhas. l

Portador de necessidade especial enfrenta problema na acessibilidade

Com as construções em andamento na estação São Gabriel, quem enfrenta mais transtornos para ir e vir em meio ao canteiro de obras são os passageiros com necessidades especiais.

Nesta terça-feira (11), Patrícia Bárbara precisou, praticamente, de carregar no colo a mãe Maria Bárbara, de 72 anos, porque o elevador que atende aos usuários que chegam das linhas alimentadoras ainda não está funcionando. “Ela tem artrose e um problema grave no joelho. Por isso, não consegue subir a escada”.

Constrangimento semelhante enfrentou Geraldo Magela Ferreira Inácio, cadeirante há 20 anos. O elevador para os passageiros do BRT/Move falhou duas vezes. Sem alternativa, um monitor foi designado para ajudá-lo a subir o degrau (de cerca de um metro) para chegar até o ponto de embarque e desembarque dos usuários dos articulados. “Era para ser um sistema moderno, mas vou ser carregado como acontece nos ônibus convencionais”, criticou.

Com a chegada da reportagem do Hoje em Dia, porém, técnicos da BHTrans pediram para Geraldo experimentar o elevador mais uma vez. Na quarta tentativa, o equipamento funcionou.

Para Edson Anselmo da Silva Filho, que tem uma perna mecânica e usa muletas, a estação não poderia ser inaugurada sem garantir a acessibilidade de todos os passageiros.