Policiais e bombeiros militares de Minas Gerais se encontraram na manhã desta segunda-feira (19), no Clube dos Oficiais, no bairro Prado, região Oeste de Belo Horizonte, em protesto contra o Projeto de Lei Complementar (PLP) 257, que prevê regras para a renegociação de dívidas dos estados com a União. O texto será votado até o fim do dia na Câmara dos Deputados e limita os gastos públicos dos estados pelos próximos dois anos, o que pode causar congelamentos de salários e promoções dos servidores.

O projeto de renegociação de dívidas foi aprovado na semana passada pelos parlamentares do Senado Federal. Caso também seja aprovado pelos deputados, o projeto, denominado por muitos como "pacote de maldades", limita os estados a gastarem apenas o teto do índice de inflação pelos próximos dois anos. Militares temem que a estrutura para o exercício da profissão seja fatalmente comprometida.

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O chefe da Sala de Imprensa da Polícia Militar, capitão Flávio Santiago, informou que entre 3.000 e 5.000 militares estiveram no protesto, que saiu do Clube dos Oficiais e parou na praça da Assembleia, no bairro Santo Agostinho. Segundo ele, o congelamento dos gastos públicos pode causar um desastre irreversível. "Vamos perder todos os nossos direitos caso esse projeto seja aprovado. Nós já temos uma carga horária mais extensa do que o regime seletista. Você fica uma vida inteira defendendo a sociedade, maculando a sua saúde física e mental, troca tiros, é um verdadeiro sacerdócio. Se perdermos os direitos que temos, quem vai ficar interessado em ser militar? Vamos ficar sem segurança?", questiona.

Ainda segundo Santiago, o movimento, que acontece em outras partes do país, tem o apoio do alto comando militar de Minas Gerais.

Na tarde desta segunda-feira (19), o governo de Minas informou que receberá os representantes dos policiais a partir das 16h para uma conversa.

*Com Mariana Nogueira, sob a supervisão de Mateus Rabelo