A Secretaria de Estado de Educação tem até o fim desta sexta-feira (5) para preencher cerca de 28 mil vagas em escolas públicas estaduais espalhadas por Minas Gerais.

Caso não consiga designar profissionais para ocupar os postos disponíveis, o governo mineiro iniciará o ano letivo, na próxima quinta-feira, com déficit de professores e outros profissionais que atuam na Educação, como ajudante de serviços gerais.

O número foi divulgado pela administração estadual na noite desta quinta-feira. Desde o início das designações, no mês passado, a secretaria preencheu 114 mil postos, o que representa 80% do total de vagas.

“Importante ressaltar que esse percentual pode ser ainda maior, uma vez que o Quadro Informativo pode ser lançado posteriormente”, informou, por nota, o governo de Minas.

A secretaria, no entanto, não detalhou o balanço. Não foi informado, por exemplo, qual município possui o maior número de vagas e, consequentemente, o maior déficit de profissionais.

Levantamento feito às 20h desta quinta-feira pelo Hoje em Dia através do site criado pelo governo para divulgar editais apontava apenas 1,7 mil postos vagos em Belo Horizonte, a única cidade mineira com mais de 700 mil habitantes – atualmente são 2,5 milhões residentes, segundo estimativa do IBGE.

Além do atraso nas designações – resolução de dezembro previa encerrar os trabalhos no dia 29 de janeiro – por problemas técnicos, a secretaria recebeu críticas de envolvidos pela falta de estrutura no processo. Desrespeito durante a seleção, ausência de cadeiras e água e desinformação foram algumas das reclamações.

"Eles te recebem fora do horário, não tem respeito por ordem de chegada. Cheguei a passar mal porque fiquei exposta no sol e, quando fui falar com o diretor, ele me ameaçou", afirmou Silvana Vasconcelos, representante da Grande BH da Associação dos Efetivados.

Por nota, a secretaria informou buscar “realizar o processo com transparência e com o máximo de respeito aos profissionais envolvidos”.

Sem professores

Quem é da área e já participou por anos do processo não tem dúvida de que o ano letivo começará sem professores e outros profissionais da Educação.

"Vai começar o ano letivo faltando professores, os alunos serão prejudicados. O aluno tem direito a uma carga horária anual, se não tiver aquela aula, vai ter que pagar no sábado. Você acha que essa aula vai ser bem dada no sábado? A impressão que nós temos é que o sistema de designação deixou muito a desejar", afirmou o presidente da associação, Eduardo Bronzato.

O Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (SindUTE-MG) também acredita que o ano letivo começará com quadro de professores defasado no Estado e, portanto, com prejuízo aos alunos.

"Por isso lutamos para o fim das designações. Já conquistamos a promessa de 15 mil nomeações por ano, mas esse número já não será suficiente para mudar esta situação. Precisamos avançar mais!”, disse a coordenadora-geral do sindicato, Beatriz Cerqueira.