Melhorar a qualidade do ensino na educação básica. Esse é mote da expansão das escolas cívico-militares no país, anunciada ontem pelo Ministério da Educação (MEC). Em Minas Gerais, quatro unidades serão abertas até 2023. Com a gestão compartilhada entre militares e sociedade civil, o modelo, no entanto, é avaliado com ressalvas por especialistas.

Detalhes sobre a implantação no Estado, como número de alunos a serem atendidos ou cidades onde serão instaladas as instituições, não foram informados pela pasta. 

Atualmente, no Estado são 30 escolas (Tiradentes) sob a direção da PM. Já o Exército administra dois colégios militares, um em Belo Horizonte e outro em Juiz de Fora, na Zona da Mata.

Membro da diretoria da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Catarina Santos diz que um dos pontos a serem discutidos com a criação do modelo proposto pelo governo federal é quem irá estudar nesses locais. Segundo ela, é preciso avaliar com cuidado para não haver “segregação do ensino”.

“As escolas militares e militarizadas, como hoje já existem, seguem padrões diferentes, já que a direção é formada por membros das forças de segurança. Os estudantes, na grande maioria, são parentes de militares e o que sobra de vaga vai para pessoas ‘comuns’. Se na cívico-militar for assim, certamente haverá segregação”, avalia.

Questionado, o MEC não informou como será a seleção dos discentes. 

Em Minas, conforme a Secretaria de Estado de Educação (SEE), cerca de 25 mil pessoas estão matriculadas em instituições de ensino da PM e Exército. Dessas, 20% são alunos da sociedade civil.

A meta do MEC é que em Minas, a partir de 2019, uma escola seja construída ou transformada de civil para cívico-militar por ano; em todo o país, 108 mil alunos devem ser contemplados com o novo modelo

 

Meta

Para o coronel Welerson Silva, comandante da Diretoria de Educação Escolar e Assistência Social (Deeas), da PM, responsável pelos colégios Tiradentes no Estado, a implantação das escolas propostas pelo Ministério da Educação é positiva para melhorar o ensino público no país. 

“Nessas instituições, vamos emprestar os nossos conhecimentos nos aspectos disciplinar e administrativo, mas, sem dúvida, respeitando a área pedagógica. É uma parceria cuja a via é de mão dupla”, afirmou.

Adesão

A adesão dos governos estaduais e municipais ao projeto é voluntária, afirmou o MEC. O tema, garante a pasta, será debatido com a sociedade.
Subsecretária de Desenvolvimento da Educação Básica da SEE, Geniana Guimarães Faria diz que Minas está aberta ao diálogo com a União sobre propostas do tipo. Porém, observa que as realidades das localidades precisam antes serem analisadas.

“É preciso ampliar o debate e entender em detalhes as propostas para, então, avançar nas negociações de possíveis termos de cooperação. Por aqui temos mais de 3.600 escolas estaduais, com mais de 2 milhões de estudantes e inúmeros fatores podem explicar os seus bons ou maus resultados”, disse.