Minas Gerais abrigou oito centros de tortura durante a ditadura militar, cinco deles em Belo Horizonte. Estudo produzido por pesquisadores da UFMG, obtido com exclusividade pelo Hoje em Dia, encontrou 82 aparelhos clandestinos em todo o país utilizados pelo regime militar para torturar ativistas políticos contrários à ditadura. O estudo abrange o período entre 1964 e 1985.

O levantamento produzido pelo projeto República do Núcleo de Pesquisa, Documentação e Memória da UFMG aponta que o Colégio Militar, a Delegacia de Vigilância Social, a Delegacia de Furtos e Roubos, o 12º Regimento de Infantaria e uma casa no bairro Renascença foram utilizados como aparatos do estado ditatorial para torturar presos políticos.

Outros três pontos fora da capital também foram utilizados pelos militares. Sítios clandestinos em Ribeirão das Neves, no Triângulo Mineiro e o presídio de Linhares, em Juiz de Fora.
 
Identificação

Os locais foram definidos a partir de relatos de presos políticos que foram torturados e sobreviveram para contar. Por isso a localização é imprecisa no caso da casa no bairro Renascença, e nos sítios em Ribeirão das Neves e no Triângulo. Em entrevistas, torturados conseguiam lembrar do local e do caminho.

O levantamento produzido pelo projeto República servirá como base para as investigações da Comissão Nacional da Verdade.“O mapa não é definitivo. Espero que sirva de estímulo para outros pesquisadores continuarem procurando e identificando centros de tortura”, disse Heloísa Starling, coordenadora do projeto.

Reunião

Na última segunda-feira (13) a Comissão Nacional da Verdade participou de audiência pública na sede da Ordem dos Advogados do Brasil no Rio de Janeiro para ouvir familiares de mortos e desaparecidos, ex-presos políticos e pesquisadores sobre abusos aos Direitos Humanos cometidos na ditadura.

No evento, foi divulgado o número de centros de tortura do Rio de Janeiro. Foram 13 locais utilizados pelos militares, sendo nove na capital e quatro no interior do Estado. Ao lado de São Paulo e Pernambuco, o Rio está entre os três estados com a maior incidência de centros de tortura do país.

Os números dos outros estados não foram divulgados ainda. A estratégia da Comissão Nacional da Verdade é divulgar os dados quando realizar as audiências públicas em cada capital.

 

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