Dos 214 casos suspeitos de sarampo notificados em Minas Gerais este ano, 133 foram descartados e 81 permanecem em investigação, aguardando a pesquisa laboratorial para processamento das amostras pela Fundação Ezequiel Dias (Funed). Dentre essas notificações, 31 são referente a Belo Horizonte. Os dados estão presentes no Boletim Epidemiológico do Sarampo, divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde (SES) nessa quinta-feira (30).

A pasta afirma que nenhum caso de sarampo foi confirmado no Estado, mas quatro pacientes apresentaram amostras soropositivas para anticorpos da doença em primeira coleta – eles são dos municípios de Nova Lima, na Região Metropolitana, e Passa Quatro e Poços de Caldas, no Sul de Minas.

A SES explica que é necessária uma segunda amostra soropositiva para a confirmação da doença, além da pesquisa de outros diagnósticos diferenciais. As amostras em suspeita, após segunda coleta são encaminhadas à FIOCRUZ - Fundação Oswaldo Cruz, que realiza as análises de isolamento viral do Sarampo. Ou seja, esses quatro casos ainda são considerados sob investigação.

No Brasil

O país está em alerta para o ressurgimento dos casos de sarampo desde o ano passado, quando várias casos foram notificados em países americanos, especialmente na Venezuela. Segundo dados do Ministério da Saúde, neste ano os estados de Roraima e Amazonas detectaram os primeiros casos importados da doença. Atualmente, os dois estados apresentam o maior número de notificações e confirmações de sarampo na Região Norte, onde houve 1.211 casos.

A Região Sudeste é a segunda mais acometida no Brasil, com um total de 20 casos confirmados: 18 são provenientes do estado do Rio de Janeiro e dois de São Paulo. A Região Sul segue com 16 casos confirmados, todos eles provenientes do estado do Rio Grande do Sul.

A doença

O sarampo é uma doença viral, infecciosa aguda, transmissível e altamente contagiosa. A doença tem como sintomas febre, manchas avermelhadas que se distribuem de forma homogênea pelo corpo, sintomas respiratórios e oculares.

A evolução da doença pode originar complicações infecciosas como amigdalites (mais comum em adultos), otites (mais comum em crianças), sinusites, encefalites e pneumonia, que podem levar ao óbito. As complicações frequentemente acometem crianças desnutridas e menores de um ano de idade.

A transmissão ocorre de pessoa a pessoa por meio de secreções (ou aerossóis) presentes na fala, tosse, espirros ou até mesmo respiração. Na presença de pessoas não imunizadas ou que nunca apresentaram sarampo, a doença pode manter-se em níveis endêmicos, produzindo epidemias recorrentes.

Vacinação

A vacina tríplice viral se encontra disponível em todas as unidades básicas de saúde do Estado e protege contra o sarampo, a rubéola e a caxumba. A Campanha Nacional de Vacinação contra a Poliomielite e o Sarampo termina nesta sexta (31), mas a meta não foi cumprida na maioria dos municípios. Em Belo Horizonte, neste sábado, será possível vacinar crianças com idade até 5 anos no Parque Municipal, Boulevard Shopping e BH Shopping.

Seguem esquemas de vacinação por idade:

- Aos 12 meses de idade, a criança deverá receber a primeira dose da vacina tríplice viral (que protege contra o sarampo, a rubéola e a caxumba).

- Aos 15 meses de idade, a criança deverá receber a segunda dose com a vacina tetraviral (contra o sarampo, a rubéola, a caxumba e a catapora/varicela).

- Dos 02 aos 29 anos, caso não tenham nenhum registro de dose da vacina tríplice ou tetraviral, as pessoas deverão receber duas doses com intervalo de no mínimo 30 dias da primeira dose.

- De 30 a 49 anos, caso não tenham nenhum registro de dose da vacina tríplice ou tetraviral, as pessoas deverão receber apenas uma dose.

- Após 49 anos de idade, não é necessário a vacinação porque são consideradas imunes.

- Profissionais de saúde (médicos, enfermeiros, dentistas e outros), independente da idade, devem ter duas doses válidas da vacina tríplice viral documentadas.

- Profissionais de transporte (taxistas, motoristas de aplicativos, motoristas de vans e ônibus), profissionais do turismo (funcionários de hotéis, agentes, guias e outros), viajantes e profissionais do sexo devem manter o cartão de vacinação atualizado conforme os esquemas vacinais.

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