Enquanto o enfrentamento ao novo coronavírus provoca mudanças socioeconômicas em toda Minas Gerais, outra doença bem conhecida por aqui ainda assusta. O Estado já registrou, desde janeiro, mais de 46 mil notificações para dengue, doença viral que provocou uma epidemia no ano passado. Somente em Belo Horizonte, são 1.400 casos confirmados e outros 4.700 pendentes de resultados. Frente a esses números, muitos se perguntam: corremos o risco de conviver com duas epidemias ao mesmo tempo?

De acordo com o infectologista e professor da Faculdade de Medicina da UFMG Unaí Tupinambás, é improvável que haja uma epidemia de dengue em Belo Horizonte e em outras regiões, mesmo que tenhamos passado por um verão tão chuvoso.

“Levando em consideração que estamos no início de outono e tivemos uma grande epidemia no ano passado, é pouco provável de que teremos um número assustador de casos de dengue neste ano. Teremos muitos casos, mas não com aquela magnitude de 2019”, afirma o infectologista. Na história recente, as grandes epidemias de dengue em Minas têm sido cíclicas, de três em três anos. Em 2019, o Estado registrou mais de 480 mil notificações da doença, com pico entre os meses de março e junho. 

Mesmo que não ocorrra uma epidemia de dengue, o sistema de saúde terá de ficar bastante atento. Segundo Tupinambás, um dos principais desafios dos profissionais será fazer a distinção entre pacientes com essa doença e a Covid-19 – já que alguns sintomas são parecidos, como dor no corpo, dor de cabeça e febre. “Mas a dengue não apresenta quadro respiratório, diferente da Covid, o que pode ser uma pista diagnóstica”, esclarece.

A expectativa é que o sistema não fique sobrecarregado no atendimento a pacientes com as duas doenças, pois são direcionados a espaços diferentes. De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG), os casos de dengue, em sua maioria, são manejados na Atenção Primária (em Unidades Básicas de Saúde), com seguimento correto do protocolo pelos profissionais da área. Já os possíveis casos suspeitos por novo coronavírus são atendidos em hospitais de referência (unidades com maior grau de complexidade assistencial).

Belo Horizonte

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte, não há indicativos de situação epidêmica de dengue no momento. Mesmo que o número de 1.400 casos confirmados seja alto, no ano passado, nas primeiras 16 semanas do ano, mais de 33 mil pessoas na cidade foram infectadas pela doença.

Mesmo assim, a cidade está em alerta, pois há muitos focos pela capital. “A Secretaria Municipal de Saúde monitora o número de casos da doença e, se necessário, ativará o Plano de Contingência para enfrentamento à dengue, que prevê abertura e ampliação de serviços. É muito importante que a população contribua e elimine possíveis criadouros do mosquito, visto que 80% dos focos estão dentro de casa”, diz a secretaria.

Minas Gerais

A SES-MG informou que acompanha as duas doenças de forma sistemática, através da Coordenação Estadual das Doenças Transmitidas pelo Aedes e do Centro de Operações Especiais (COES) criado para o novo coronavírus.

Por enquanto, o aumento no número de casos possíveis de dengue no Estado está conforme o previsto, mas a situação pode mudar localmente, dependendo da situação de cada município.

“Alguns fatores podem favorecer para um aumento substancial no número de casos de dengue no Estado, como índice pluviométrico, temperatura elevada, altas taxas detectadas pelo Levantamento de Índice Rápido para Aedes aegypti (LIRAa) e também o comportamento da população frente ao controle do vetor e, consequentemente, controle das Arboviroses no Estado”, informou a pasta.

Ou seja, as prefeituras do Estado devem estar atentas e continuar trabalhando pelo fim dos focos do mosquito Aedes, mesmo durante o período de isolamento social. De acordo com o último boletim epidemiológico da SES-MG sobre dengue, 27 municípios mineiros estão com incidência muito alta de casos prováveis de arboviroses (dengue, zika, chikungunya) e 24 em alta incidência.  

Leia mais:
Governo anuncia retomada de obras no Hospital Regional de Governador Valadares
Betim vai exigir o uso de máscaras a partir de segunda-feira