A desobrigação do uso da máscara contra a Covid-19 sequer será discutida em Minas antes da chamada imunidade de rebanho. A flexibilização, mesmo em ambientes abertos, depende da aplicação das duas doses em pelo menos 80% da população – atualmente, o esquema vacinal está em 50%.

A avaliação é da própria Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG). Abandonar o acessório, sem que o índice seja atingido, pode provocar uma escalada de casos e mortes, além de abrir caminho para novas variantes do coronavírus. 

Nos últimos dias, o assunto ganhou força após a prefeitura de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, retirar a obrigatoriedade do uso. A medida também está sendo estudada pela prefeitura do Rio e governo de São Paulo.

“O momento exige proteção com máscara e cumprimento dos protocolos sanitários de maneira rígida por toda a população, além da vacinação com esquema completo. O uso obrigatório da máscara ainda é uma estratégia indispensável no sucesso dos nossos esforços contra a pandemia”, disse a coordenadora do Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (CIEVS-Minas), Eva Lídia Arcoverde. 

A expectativa é que a marca de 80% de cobertura vacinal seja obtida até o fim de novembro. Para isso, ainda é preciso aplicar a segunda dose em cerca de 5,3 milhões de mineiros. 

Especialistas reforçam que esses números precisam ser alcançados. De acordo com o infectologista e membro do Comitê de Enfrentamento à doença em Belo Horizonte, Unaí Tupinambás, a obrigatoriedade da máscara deve permanecer ao menos até o fim do ano.

“Talvez, possamos flexibilizar em espaços abertos, nas ruas, calçadas, pode ser que você possa ficar sem a máscara. Mas acho que temos que esperar que pelo menos 80% estejam com as duas doses”, afirmou.

Em BH

Na capital, mesmo diante de novas flexibilizações e melhoria nos indicadores que monitoram a pandemia, a situação também só deve ser discutida após grande parte da população estar totalmente imunizada.

Em BH, a cobertura vacinal com duas doses está em 54,6%. “Acho que nesse momento ainda é temerário. Mesmo em espaços abertos as pessoas têm uma certa proximidade, e como a gente não tem essa cobertura adequada de ao menos 80% com segunda dose, há ainda a possibilidade do vírus circular”, afirmou o diretor de Promoção à Saúde e Vigilância Epidemiológica da PBH, Paulo Roberto Corrêa.

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