Minas Gerais já notificou 36 casos suspeitos de sarampo nos primeiros três meses de 2019. Desse total, 19 foram descartados e outros 16 estão sendo investigados; um caso foi confirmado.

Segundo o boletim divulgado nesta quinta-feira (4) pela Secretaria de Estado de Saúde (SES), os casos foram registrados em 16 cidades. A maioria está na Regional de Saúde de Divinópolis, na região Centro-Oeste de Minas. 

Um diagnóstico confirmado da doença foi classificado como caso importado. O paciente é um italiano de 29 anos que mora em Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, e fez viagens recentes à Croácia e à Itália.

Em 2016, o Brasil recebeu da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) o certificado de eliminação da circulação do vírus do sarampo. Porém, como há a circulação do vírus na região Norte por mais de 12 meses, existe o risco de que o país perca a certificação de nação livre da doença, que é altamente contagiosa e o agente causador é capaz de atravessar estados.

O retorno do sarampo no país teve início no ano passado. Os primeiros casos foram registrados na região Norte, que recebeu um grande número de refugiados da Venezuela, país que já enfrentava um surto da doença. Especialistas são unânimes, no entanto, em afirmar que, se a vacinação da população brasileira fosse adequada, não haveria condições de o ciclo da doença se estabelecer.

Mas, a região Norte, como boa parte do país, apresentava uma cobertura vacinal baixa contra a doença. Com a população suscetível e a circulação do vírus, havia condições propícias para o início de um surto do sarampo. Foi o que ocorreu. Durante 2018, foram confirmados 10.326 casos da doença em 11 Estados. O pico foi registrado em julho, com 3.950 infecções constatadas.

A doença

O Sarampo é uma doença viral, infecciosa aguda, grave, transmissível, altamente contagiosa e comum na infância. A doença começa inicialmente com febre, manchas avermelhadas pelo corpo e sintomas respiratórios e oculares.

No quadro clínico clássico as manifestações incluem tosse, coriza, rinite aguda, conjuntivite, aversão à luz e manchas esbranquiçadas na mucosa oral. A evolução da doença pode originar complicações infecciosas como amigdalites, otites, sinusites, encefalites e pneumonia que podem levar a morte. As complicações frequentemente atingem crianças desnutridas e menores de um ano de idade.

Transmissão

A transmissão ocorre de pessoa a pessoa por meio de secreções presentes na fala, tosse, espirros ou até mesmo respiração. Na presença de pessoas não imunizadas ou que nunca apresentaram sarampo, a doença pode manter-se em níveis endêmicos, produzindo epidemias recorrentes.

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