Minas Gerais vai dividir com Espírito Santo e Rio de Janeiro o socorro de R$ 1 bilhão a ser destinado pelo governo federal às cidades devastadas pelas chuvas. Dos três estados, o primeiro tem a pior situação, com 55 mortes desde a última sexta-feira e mais de 53 mil pessoas desalojadas ou desabrigadas em decorrência dos temporais. No total, 123 municípios mineiros decretaram situação de emergência.

A verba para a reconstrução da infraestrutura foi anunciada ontem pelo presidente Jair Bolsonaro, que sobrevoou áreas da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) afetadas pelos temporais. Os recursos serão liberados por meio de medida provisória. Segundo a União, R$ 892 milhões referem-se a um crédito extra, que será somado a outros R$ 101 milhões do Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR).

A fatia de cada estado, no entanto, não foi detalhada. O valor a ser repassado para os municípios levará em conta planilhas que serão apresentadas pelas próprias prefeituras e checadas pelo governo federal.

Após o sobrevoo, Jair Bolsonaro se reuniu com o governador Romeu Zema e sete prefeitos da Grande BH, entre eles Alexandre Kalil.

Estimativas

Na quarta-feira, menos de 24 horas após um temporal que deixou várias regiões da capital devastadas, o chefe do Executivo da capital mineira estimou cerca de R$ 400 milhões para reconstruir a cidade. No mesmo dia, o Estado anunciou repasse de R$ 200 milhões para a metrópole. O dinheiro será depositado em três parcelas.

R$ 892 milhões serão repassados aos três estados do Sudeste via crédito extra; o restante será por meio do Ministério do Desenvolvimento Regional

Os prefeitos que participaram do encontro acreditam que BH será a que mais receberá repasses. “Por ter um número maior de habitantes (nas áreas atingidas)”, justificou Vitor Penido, chefe do Executivo municipal de Nova Lima.

No Espírito Santo são 14.765 pessoas desabrigadas ou desalojadas. Nove mortes em função das consequências das chuvas foram registradas. Já no Rio de Janeiro, cerca de 13 mil estão fora de casa em pelo menos 13 municípios.

Corrida contra o tempo

A prefeitura da capital mineira foi procurada para comentar sobre os recursos anunciados pela União, mas não se posicionou até o fechamento desta edição.

Enquanto obras não são feitas, os trabalhos para amenizar os impactos causados pela tempestade de terça são um desafio. Na próxima segunda-feira, há expectativa do aumento de pessoas e carros nas ruas de BH. É o primeiro dia útil após o fim das férias.

Só no perímetro da avenida do Contorno, na região Centro-Sul, é esperado um aumento de 10% no fluxo de veículos. Na área, em dias comuns, circulam cerca de 500 mil automóveis, motocicletas e caminhões.

Ontem, 57 linhas de ônibus tiveram o desvio alterado por conta das várias vias interditadas no município. Entre os locais afetados estavam a BR-356, no sentido BH Shopping–Savassi; avenida Prudente de Morais, entre as ruas Santa Madalena Sófia e Iraí e rua São Paulo, entre Felipe dos Santos e Gonçalves Dias.

Temor é de que a água que escoa da represa transborde o rio Betim e atinja os imóveis

Várzea das Flores, em Betim, atinge capacidade máxima

Por decisão judicial, a Copasa terá que tomar providências emergenciais para evitar que moradores de Betim, na Grande BH, não sejam afetados em caso de transbordamento do rio que leva o nome da cidade. O risco é elevado, uma vez que a represa Várzea das Flores, localizada entre o município e a vizinha Contagem, opera na capacidade máxima.

As medidas devem ser adotadas em até 24 horas, mas, até o fechamento desta edição, a companhia não teria sido notificada. A sentença foi proferida a partir de um pedido da Prefeitura de Betim.

A liminar determina, ainda, que a Copasa controle o reservatório, impedindo que transborde ou se rompa devido ao grande volume de água. 

Segundo o subsecretário de Meio Ambiente de Contagem, José Roberto Garbazza, a represa atingiu 100% da capacidade ontem, mas só há risco se houver mais chuvas como as que atingiram a região nos últimos dias.

“A Várzea das Flores tem um nível máximo de 840 metros, e esse limite é a altura do vertedouro, que é um sistema que fica permanentemente aberto para que a água escoe e mantenha a represa sem transbordamentos. Para isso ocorrer, a água precisaria subir de um metro e meio a dois metros em toda a área”, informou.

A administração municipal de Betim informou que, mesmo com a decisão favorável e o entendimento da responsabilidade da Copasa, a Defesa Civil da cidade vem monitorando a situação e esclarecendo moradores das áreas próximas da barragem.

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