Neste domingo (26), Belo Horizonte vai sediar, em uma de suas praças, uma cerimônia típica de casamento, com toda a pompa: vestido de noiva, dama de honra, bolo, pajem, decoração e convidados. O detalhe é a inexistência de um noivo, já que a noiva irá se casar com ela mesma. A empresária Jussara Dutra Couto, de 38 anos, decidiu selar a união com ela mesma para marcar o bom momento pelo qual está passando. Ela acredita ser, provavelmente, a primeira brasileira a passar por essa experiência. 

"Eu estou passando por uma fase da minha vida em que estou muito bem comigo mesma, uma fase de amor próprio. E estava conversando com uma amiga em uma tarde de sábado e dizendo justamente isso pra ela, como eu estou curtindo a vida, me curtindo, tão feliz que queria até casar comigo mesma", lembra. 

O comentário acabou se tornando uma ideia, que passou a se concretizar quando Jussara pesquisou no Google sobre a existência de casamentos de uma pessoa só e descobriu que a iniciativa é até uma tendência em alguns países do mundo e que, inclusive, há um termo próprio para isso: casamento sologâmico. 

Como as amigas trabalham no ramo de casamentos há mais de 20 anos, organizar a cerimônia não foi das tarefas mais difíceis. A filha de Jussara, que tem 21 anos, será a dama de honra no matrimônio, e entre amigos, familiares e 'curiosos', o grande dia deve contar com cerca de 100 convidados. 

JussaraPara Jussara, celebrar o amor próprio é a ideia de um casamento sologâmico

No lugar da aliança como símbolo, Jussara decidiu fazer uma tatuagem, e a arte do desenho é também a identidade visual do casamento. "A aliança, para mim, é um símbolo do casamento que serve para você olhar e se lembrar do compromisso que fez com outra pessoa. Eu não quis outra aliança, quis tatuar uma arte criada para mim, uma mulher com asas, e que terá o mesmo efeito", explica a empresária, que já foi casada com outra pessoa, antes de se divorciar há cerca de sete anos. 

A expectativa é que, apesar dos altos e baixos da vida, o casamento a ajude a se lembrar, nos momentos ruins, do porquê ter se apaixonado por si mesma e da mulher forte que é. 

"Para mim esse casamento é uma celebração do amor próprio. É sentir bem comigo mesma e estar feliz assim. Porque a gente tem essa ideia de que pra ser feliz é preciso estar com outra pessoa, mas felicidade, pra mim, é saber que você não precisa de alguém para ser feliz e se amar e respeitar. Se eu estou feliz comigo, eu fico bem com o resto do mundo", conclui. 

Empreendedorismo

Junto à ideia do casamento sologâmico, nasceu também a empresa Eu Comigo, especializada em matrimônios do gênero. A ideia das sócias Jussara Couto e Daniele Cerqueira é justamente proporcionar às pessoas a oportunidade de celebrar o amor próprio e marcar essa fase da vida, como a que Jussara está passando. 

Os valores de um casamento sologâmico são semelhantes ao de um matrimônio tradicional, já que envolve o mesmo tipo de organização e cerimônia. A diferença é que, talvez, fique um pouco mais caro para o noivo ou a noiva, já que a pessoa não terá com quem dividir as despesas. 

Mas segundo Jussara, a ideia já tem conquistado alguns clientes em potencial. Após o seu casamento, outras quatro mulheres também planejam realizar seus casamentos sologâmicos com a empresa. O interesse parte principalmente das mulheres e também da comunidade LGBT. "Já os homens se mostram um pouco apreensivos com a ideia, acham estranho", conta a empresária. 

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