O mineiro de 37 anos suspeito de desviar R$ 600 mil das doações do filho doente dele foi indiciado por quatro crimes - estelionato, apropriação e desvio de valores de pessoa portadora de deficiência, abandono material e falsa comunicação de crime. A Polícia Civil concluiu o inquérito na quarta-feira (31) e, caso seja condenado a pena máxima por cada delito, o homem poderá pegar até 13,6 anos de prisão.

Segundo as investigações, com a verba retirada do tratamento do filho, portador da doença rara Atrofia Muscular Espinhal (AME), o homem ostentava vida de luxo, bancava mulheres e entrou de sociedade em uma casa de prostituição em Salvador, na Bahia.

Os crimes foram descobertos em maio deste ano, depois que o homem, morador de Conselheiro Lafaiete, na região Central de Minas, saiu de casa e deixou para trás a mulher e o filho. O suspeito, contudo, prosseguiu com as campanhas criadas na web e, de acordo com a polícia, forneceu números de contas pessoais dele.

"Várias doações foram recebidas pelo suspeito nesse período", destacou a instituição. Além disso, ele também retirou parte da quantia que havia sido arrecada anteriormente.

Outro inquérito, ainda em curso, investiga se o rapaz cometeu, também, os crimes de lavagem de dinheiro e associação criminosa.

Crimes

A Polícia Civil informou que o estelionato foi configurado pois o suspeito induziu a sociedade ao erro para obter vantagem indevida. Pelo crime, ele poderá ser condenado a pena que varia de um a cinco anos de prisão. Como também desviou indevidamente o recurso que havia sido obtido para o filho portador de deficiência, ele responderá pelo crime que tem sentença de um a quatro anos de prisão.

Além disso, o homem responderá pelo crime de abandono material, uma vez que abandonou a esposa e filhos, que dependiam do rendimento mensal de R$ 1.200 para custear as despesas da casa. A pena pode chegar a até quatro anos de prisão. Por ter mentido no interrogatório, ao alegar que foi extorquido por traficante, ele poderá ser sentenciado a seis meses.

A reportagem do Hoje em Dia não conseguiu contato com o advogado Túlio César de Melo Silva, que representa do suspeito, para comentar o caso. 

Campanha

A campanha para ajudar o menino, que mora em Conselheiro Lafaiete, na região Central de Minas, ficou nacionalmente conhecida e recebeu o apoio de diversos famosos. A ação, criada para arrecadar R$ 2 milhões, conseguiu coletar mais de R$ 1 milhão em um ano. Após a denúncia do desvio do dinheiro por parte do pai, a mãe da criança disse, em uma rede social, que também foi enganada. Ela ressaltou que lançou a campanha "pela boa-fé e com a finalidade exclusiva de tentar salvar a vida" do filho.

AME

A AME é uma doença genética que atinge a coluna vertebral. As pessoas que têm a doença vão perdendo o controle e força musculares, ficando incapacitados de se mover, engolir ou mesmo respirar, podendo, inclusive, morrer. Desde junho, o medicamento Spinraza, usado no tratamento das crianças portadoras da AME, é disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde.

O tratamento consiste na administração de seis frascos com 5 ml no primeiro ano e, a partir do segundo ano, passam a ser três frascos. A medida teve como base diversos estudos que apontam a eficácia do medicamento na interrupção da evolução da AME para quadros mais graves e que são prevalentes na maioria dos pacientes.

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