Vírus que matou milhares de pessoas e se transformou em estigma social no país durante os anos 80, o HIV volta a registrar alta incidência. Em Minas Gerais, mais de 40 mil casos foram confirmados na última década, sendo que, desde 2010, não há redução dos registros. Especialistas alertam para a principal forma de proliferação da doença: o sexo sem proteção. 

Domingo é o Dia Mundial de Combate à Aids, síndrome desencadeada pelo vírus e que afeta o sistema imunológico.

No Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA) da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) que, além de diagnóstico rápido, oferece atendimento e orientação a portadores da infecção, a maioria dos relatos têm situações de descuido.

Caso do professor Júnior*, de 41 anos. Ele explica que, durante processo de aceitação da própria homossexualidade, viveu “aventuras perigosas” com muitos parceiros e acabou contraindo o vírus.

Abandonado pelo parceiro e após encarar a depressão, aprendeu a lidar com a situação. Agora, mantém a saúde estável com o uso de medicamentos.

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 Rafael (*) recebe atendimento e orientação no Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA) da PBH

O diagnóstico, diz Júnior, foi há 12 anos, mas até hoje é segredo guardado a sete chaves. “Lutar contra o preconceito é a tarefa mais difícil. Dou aula para crianças e isso pode gerar resistência de muitos pais, o que me prejudicaria no trabalho”, preocupa-se.

Quatorze novos casos são registrados, em média, a cada 24 horas no Estado; só em 2018 foram mais de 5 mil infecções, conforme dados da Secretaria de Estado de Saúde

Tratamento

O surgimento de novos medicamentos e o acesso ao acompanhamento especializado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) têm elevado a qualidade de vida de muitos soropositivos, mas nem sempre foi assim. Funcionário público, Rafael*, de 57 anos, relembra ter passado por momentos de desespero ao descobrir que contraiu o HIV, há 30 anos.

“Na época, o exame demorava seis meses para sair. Quando soube, pensei imediatamente que iria morrer em pouco tempo. Tive sarcomas (tipo de tumor) por todo corpo e, tomando o coquetel, ainda precisei fazer quimioterapia”, relembra. 

Atualmente, sabe que, além do comprimido diário, precisa tomar cuidado para manter a saúde estável. “A medicação exige outros controles porque altera a glicose e o colesterol. É um tipo de veneno que te salva. Se você sair da linha, vai para o buraco”.

Sífilis

Além do HIV, a Sífilis adquirida – ou seja, contraída por relação sexual ou transfusão de sangue – cresceu na última década em Minas. Foram nada menos do que 47 mil registros, de 2008 a 2018. Apenas no último ano, 14.847 casos foram confirmados, aumento de mais de 3 mil registros em relação a 2017.

Da mesma forma, a Sífilis em gestantes e a congênita – transmitida da mãe para o feto por meio da placenta – também aumentou. A Hepatite C engrossa os números no mesmo período. Em 2008, eram apenas 768 casos contabilizados em Minas. Já em 2018, saltou para 1.629.

*Nomes fictícios

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