Mais que o tema do Congresso Brasileiro de Mineração, a inovação é uma saída para os tempos de crise na atividade. Na expectativa da realização do World Mining Congress, um dos maiores eventos da mineração mundial, que será realizado no Rio de Janeiro, de 18 a 21 de outubro de 2016, o Instituto Brasileiro de Mineração– Ibram, antecipa as discussões sobre o assunto no Congresso Brasileiro de Mineração que começa no próximo dia 14, no Expominas, em Belo Horizonte.

“Não só a tecnologia, mas as relações com a comunidade fazem da inovação motivo central dos debates no Congresso”, diz Rinaldo César Mancin, diretor de assuntos ambientais do Ibram, reforçando a importância do debate, sobretudo em tempos de crise e queda nos preços das commodities.

Rinaldo destaca a implantação do projeto S11D da Vale, em Carajás, no sul do Pará, como um exemplo do que é inovar. A mineradora fará na planta a mineração a seco, utilizando a água presente naturalmente no minério para seu processamento.

“Essa inovação permitirá uma economia expressiva desse insumo, essencial para a atividade, gerando economia no negócio”, completou o diretor do Ibram.

Minerar com menos impacto no ambiente passa a ser fundamental para o setor. O mesmo projeto, em Carajás, deixará de usar caminhões para o transporte do minério. Com correias transportadoras o impacto causado pelo consumo do óleo diesel fica minimizado. Menos diesel, menos poluição e mais economia traduzem um dos objetivos do projeto.

Outro exemplo de sintonia com a inovação na atividade vem da Samarco Mineração que, em Minas Gerais, realiza simulações em suas plantas utilizando cada vez menos água.

Atenção no uso da água

A mineração faz uso extensivo desse recurso, porém, muitas minas já adotam práticas mais modernas, com circuito fechado, fazendo com que a água saia da mina em menor proporção.

“A eficiência hídrica do processo é fundamental. Captar água custa dinheiro, a água é cara. Por tudo isso o Congresso Brasileiro terá um painel específico sobre o tema”, observa Rinaldo.

Ainda dentro do temário técnico do evento o Ibram reservou espaço para discussões que envolvem o futuro da mineração.
Um dos palestrantes, George Hemingway, Sócio e chefe de prática de inovação na Stratalis Consulting no escritório de Nova York, antecipará tendências do setor produtivo, com um olhar sobre a mineração.

Outro destaque é a presença da Kellogg School of Management. A Universidade californiana apresentará o KIN Catalyst: a Mineração do Futuro, um processo de colaboração intersetorial entre líderes de empresas de mineração, empreiteiros, fornecedores e a sociedade, mostrando uma nova visão sobre o relacionamento entre os atores que compõem a atividade da mineração. Rinaldo Mancin destaca: “As escolas de negócio começam a entender a necessidade de ampliar a compreensão dos relacionamentos econômicos e sociais das atividades produtivas”.

A inovação fez com que os organizadores do evento trouxessem a Belo Horizonte o Reverendo Séamus Finnum, representante do Vaticano, que abordará os “investimentos de boa-fé”, um conjunto de ações avaliadoras para um fundo de apoio a projetos especiais.

Painéis que discutem a produção de fertilizantes no Brasil, as terras raras minerais, os desafios do acesso a novas áreas para mineração, a discussão sobre uma nova legislação para exploração mineral nas áreas de cavernas, com a participação da Sociedade Brasileira de Espeleologia, e a importância da pequena e média empresa mineradora completam o extenso programa do Congresso.

Política e Economia

No Congresso, o panorama político e o marco regulatório do setor trazem à tona assuntos que ocupam as discussões da sociedade. A economia contará com consultores e economistas debatendo de forma estruturada o atual momento.

Rinaldo Mancin finaliza observando que a atividade minerária é de longo prazo, com necessidades de análises que contemplem visão mais ampla dos negócios. “Ninguém entra nesse setor esperando resultados rápidos. Os primeiros dez anos da atividade são de investimento”, diz o diretor do Ibram.


“A eficiência hídrica do processo é fundamental, captar água custa dinheiro, a água é cara”
Rinaldo Mancin
Diretor de assuntos ambientais do Ibram

 

E MAIS
 

25 países participam do maior evento do setor na américa latina

A 16ª edição da Exposição Brasileira de Mineração – EXPOSIBRAM, que acontece no Expominas, Belo Horizonte, de 14 a 17 de setembro, reune centenas de empresas e entidades expositoras, além de especialistas e profissionais de 25 países que apresentarão suas idéias nos debates do Congresso Brasileiro de Mineração, que este ano terá como tema central, “Mineração no mundo da inovação”. As atenções ficam voltadas para os novos negócios que a Indústria da Mineração pretende desenvolver no Brasil e em várias partes do mundo ao longo das próximas décadas.

Investimentos de bilhões de dólares, aplicados na expansão e no lançamento de novos empreendimentos

6o mil visitantes de todo o mundo atentos às ofertas de produtos

O evento, por todas as suas edições anteriores, se consolida como um dos mais importantes encontros internacionais dedicados à mineração e atividades afins. Para este ano os organizadores esperam receber um público de cerca de 60 mil visitantes, entre brasileiros e estrangeiros. Além de firmar novos negócios e reforçar laços comerciais, os participantes terão oportunidade de acesso a uma completa vitrine de soluções tecnológicas e novidades relacionadas à Indústria Mineral. Embora o cenário internacional arrefeça momentaneamente as expectativas empresariais, o setor sempre planeja os negócios com antecedência de dezenas de anos e especialistas já observam sinais de que o ciclo mineral retomará em breve bons momentos de crescimento, de modo a atender à necessidade de minérios para o desenvolvimento dos países mundo afora.

Meio ambiente, política e economia completam o programa do congresso

Para traçar um panorama político do Brasil foi convidado o jornalista Merval Pereira, colunista do Globo e comentarista da rádio CBN. Para a discussão sobre o marco regulatório da mineração compõe a mesa de debates os deputados federais Gabriel Guimarães, Presidente da Comissão Especial do Novo Marco Regulatório, Leonardo Quintão, Relator da Comissão Especial do Novo Marco Regulatório e Rodrigo de Castro, Presidente da Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados. A Política Nacional de Recursos Hídricos em um cenário de comprometimento da disponibilidade hídrica tem como debatedores Tácito Ribeiro de Matos, Percy Baptista Soares Neto e Eduardo Figueiredo e como moderadora a Superintendente executiva da Associação Mineira de Defesa do Ambiente, Maria Dalce Ricas, O jornalista da Rede Globo, William Waack comanda um talk-show com o governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel, o presidente da Vale, Murilo Ferreira e o presidente da Confederação Nacional das Indústrias, Robson Braga Andrade.