Entre os dias 27 de junho e 3 de julho, Belo Horizonte pode ter tido cerca de 500 mil pessoas infectadas pelo novo coronavírus, segundo estimativa do projeto de monitoramento do esgoto da capital, desenvolvido por pesquisadores da UFMG. O estudo apontou que cerca de 20% de toda a população da cidade atendida pelos sistemas de esgotamento das bacias do Arrudas e do Onça pode ter sido atingida naquela semana.

Os resultados do monitoramento indicam que na capital mineira há a chance do índice de infecção ser até 75 vezes maior do que o número oficial de pessoas diagnosticadas com Covid. De acordo com boletim epidemiológico divulgado pela Prefeitura de Belo Horizonte nesta quinta-feira (16), 13.559 moradores da cidade testaram positivo para a doença.

“Essa diferença se deve, em grande parte, ao baixíssimo índice de testagem da população e ao fato de que as amostras de nossa investigação contêm RNA viral de pessoas assintomáticas ou com sintomas leves, que não procuram as unidades de saúde”, afirmou a coordenadora do projeto-piloto, professora Juliana Calábria, do Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental (Desa).

Pico e redução

Conforme publicação desta sexta-feira (17), o projeto-piloto de detecção e quantificação do novo coronavírus em amostras de esgoto nas cidades de Belo Horizonte e Contagem verificou que o pico de circulação do vírus pode ter acontecido até o dia 3 de julho, já que na semana seguinte houve uma redução no número de pessoas estimadas com o vírus – caindo para 350 mil moradores.

Mas essa avaliação de que houve um possível pico e redução no número de pessoas infectadas é a partir de dados gerais. O boletim mostrou que, na verdade, as amostras revelam comportamentos diferentes conforme a região da cidade. Na sub-bacia do Onça (onde está Venda Nova, regional com maior número de mortes por Covid), foi encontrado um número maior de vestígios do vírus entre os dias 27 de junho e 3 de julho. Já a sub-bacia do Arrudas (região Leste), o maior percentual foi detectado na última semana monitorada (3 a 10 de julho).

Na verdade, somente será possível saber se houve um ápice ou uma redução no número de pessoas infectadas após um monitoramento nas semanas epidemiológicas 29 (10 a 17 de julho) e 30 (17 a 24).

O boletim desta sexta-feira apresenta dados das coletas feitas no período de 13 de abril a 10 de julho (13 semanas consecutivas). De acordo com a UFMG, houve atraso na apresentação de novas informações por conta de um atraso na chegada de insumos importados para análise das amostras em busca do RNA viral do Sars-CoV-2.

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