Nascido e criado na favela, o capoeirista Márcio Júnior, de 35 anos, hoje não precisa sair do aglomerado para trabalhar. Há alguns anos, é no Morro do Papagaio, região Centro-Sul da capital, que ele obtém a renda da família, dando aulas em um projeto social. Na semana em que se comemora o Dia Internacional das Favelas, Márcio e outros milhares de moradores das comunidades querem mostrar o que de positivo há nesses locais.

Além da arte e da cultura, as ações empreendedoras nas favelas são destacadas por eles. As ações, inclusive, fizeram parte das apresentações que deram início às celebrações da data, nessa quarta, na Praça 7, em BH.

“A gente vem pra rua para mostrar que a maior parte das pessoas está envolvida em atividades produtivas e faz parte da engrenagem da cidade. Elas estão produzindo arte, cultura e soluções empreendedoras”, afirmou o presidente da Central Única das Favelas (Cufa-MG), Francislei Henrique. “Lá tem gente honesta e trabalhadora”, complementa Márcio.

O MC Pablo Ramos Freire, de 22 anos, também tira o sustento compondo letras que mostram a realidade da favela. Ele considera o Aglomerado da Serra, na região Centro-Sul, parte da história dele. “Tudo o que aprendi de valores foi dentro da comunidade. A favela é a minha vida”.

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Desafios

Embora os avanços destacados, os moradores afirmam que ainda faltam investimentos em saneamento, educação e infraestrutura nas comunidades.

Para o assessor parlamentar Maurício Barbosa Brandão, de 38 anos, morador do Conjunto Taquaril, o principal desafio é o combate às drogas. “Precisamos gerar renda, emprego e educação para tirar os jovens do tráfico”.

Márcio Júnior acredita que os investimentos públicos podem resolver as demandas das comunidades. “Tudo chega lá por último, quando deveria ser o contrário. Temos que cobrar mais educação”.

Programação

As comemorações do Dia Internacional das Favelas terminam na segunda-feira. Nesta quinta, às 15h, na sede do Sindicato dos Jornalistas, a desmistificação das comunidades será debatida no lançamento do livro “Um País Chamado Favela”, de Celso Athayde, fundador da Cufa, e Renato Meirelles, presidente do Instituto Data Popular.
Nesta sexta (6), o rapper MV Bill se apresenta na quadra da Escola de Samba Cidade Jardim. No sábado, será a vez da Micareta Nossa Folia.

Em 2016, a Cufa irá entregar para os governos um documento com as principais demandas das favelas

Apesar dos avanços, os moradores lutam por mais investimentos públicos em saúde, educação e saneamento

282 favelas existem atualmente na Região Metropolitana de Belo Horizonte