Pouco depois das 13 horas, as 38 famílias que vivem no complexo de Rio de Peixe, em Nova Lima, ainda corriam contra o tempo. Elas tinham até as 16 horas para pegar documentos, mudas de roupa, remédios controlados, animais de estimação e trancar as casas, mas o prazo foi posteriormente adiado para 17h. O protocolo de evacuação da área, próxima à mina de Vargem Grande, da Vale, foi acionado na manhã desta quarta-feira (20). 

No vilarejo, uma dezena de pequenas casas brancas com as bordas azuis convive com tubos, pontes e estruturas metálicas da mineradora. Os moradores se reúnem na capela, no ponto mais alto da comunidade, para serem cadastrados e encaminhados para hotéis em Belo Horizonte, Nova Lima e Itabirito. 

Nova Lima

Maria das Dores indo para sua casa pra retirar os pertences

A dona de casa Maria das Dores, de 56 anos, atravessa, a passos largos, a ponte sobre um ribeirão que separa a igreja das moradias. Ela precisa pegar a mãe, que é acamada, e levá-la até o ponto de encontro estabelecido pela mineradora. "Não consigo nem falar direito, disseram para a gente que temos duas horas para estar na capela com tudo. Vou lá fechar a casa correndo e dar um jeito de tirar minha mãe", afirma.  

Dinho, que vive ao lado da capela e mora em Rio de Peixe desde que nasceu, há mais de 50 anos, não teve nem tempo de dizer o nome completo para a reportagem. Logo foi cercado por um segurança da mineradora, que ordenou que ele não desse informações sobre a saída do vilarejo para a imprensa. "Vai e pega seus pertences, não é para revelar nada", diz o funcionário.

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