Cerca de 400 pessoas seguiam em protesto, no fim da tarde desta terça-feira (2), para Santa Luzia, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Os manifestantes são moradores de 12 ocupações urbanas da Grande BH, que fizeram, também, uma marcha nesta manhã em diversas vias da capital. Por volta das 18h20, os manifestantes seguiam pela avenida Brasil, em Santa Luzia. Os protestos ocorrem contra as ordens de despejo das ocupações da região. Representantes das ocupações já tinham adiantado ao Hoje em Dia, em 28 de novembro, que fariam novas ações para evitar o despejo das ocupações.
 
Nesta manhã, os moradores chegaram a fechar MG-010 para chamar atenção das autoridades contra ordens de despejos expedidas pelo poder judiciário. A intenção, conforme nota assinada pelos organizadores do movimento, é que nenhuma famílias sejam removidas pelo menos até 31 de dezembro deste ano.
 
"Em Belo Horizonte e RMBH, 25 mil famílias residem em ocupações urbanas sob a insegurança da posse com a possibilidade de serem surpreendidas com a tentativa de demolição de suas casas a qualquer tempo", diz trecho do documento.
 
"Foram famílias de 8 ocupações do bairro Cachoeirinha em Belo Horizonte, de Santa Maria, em Vespasiano, de Ribeirão das Neves, de Betim e Esmeraldas e ainda outros, que foram  jogadas nas ruas, sem qualquer aviso prévio por parte das autoridades e sem nenhum alternativa de moradia, nem bolsa aluguel, nem projetos de reassentamento ou mesmo abrigos! Famílias inteiras, com crianças, idosos, deficientes físicos e até mulheres grávidas tiveram seus direitos e dignidade fortemente pisoteados, sendo relegados para a condição de sub-cidadania", prosseguiu.
 
Ainda conforme a nota, o governador do Estado, seus secretários e comandantes da Polícia Militar consentiram que tais operações fossem realizadas. Por meio de nota, o Governo de Minas informou que o Estado não é autor de nenhuma das ações de reintegração de posse das áreas apontadas pelos manifestantes. Os processos envolvem o Governo Federal e as prefeituras, e os despejos são determinados pelo Poder Judiciário. 
 
"Independentemente disso, representantes das Secretarias de Estado de Defesa Social, Desenvolvimento Social e Desenvolvimento Regional e Política Urbana, da Advocacia Geral do Estado, Defensoria Pública e Polícia Militar se reuniram por várias vezes com representantes das ocupações no intuito de colaborar com as negociações e para que houvesse uma solução pacífica sobre as áreas invadidas da Região Metropolitana de Belo Horizonte", esclareceu.
 
Informou, ainda, que a PM apenas cumpre o papel constitucional de dar suporte e segurança a qualquer operação de reintegração de posse determinada pela Justiça.