Cerca de 200 pessoas foram para as ruas na manhã deste sábado (27), em Governador Valadares, no Leste do Estado, para protestar contra os efeitos da lama que vazou da barragem da Samarco em Mariana dia 5 de novembro de 2015, para o meio ambiente e populações atingidas, e cobrar providências para o município. Entre as exigências está a volta da distribuição de água mineral.

Na “Carta de Indignação da População Valadarense” que será enviada às autoridades e à ONU junto com um abaixo assinado, a população cobra a apresentação de projetos de recuperação da Bacia do rio Doce e a imediata captação alternativa de água nos rios Suaçui Grande e Pequeno. A autorização para início das obras teria sido concedida pelos órgãos técnicos governamentais logo após o desastre ambiental.

Os manifestantes também pedem a volta da distribuição gratuita de água mineral pela Samarco, enquanto não houver captação de água em outro manancial. A distribuição foi suspensa dia 22 de janeiro com a alegação de que a água tratada e distribuída pelo Saae está potável. Mas segundo a presidente da Associação Valadarense de Defesa ao Meio Ambiente (Avadma), advogada Rosamélia Apolinário, a população está bebendo lama.
“A água que sai das torneiras é de qualidade duvidosa e a população precisa se unir para cobrar das autoridades constituídas as providencias. Não podemos aceitar isso. A população precisa acordar, vir para as ruas e se mobilizar. Não somos cachorros. A Samarco vai ter que reparar os danos causados, parar de fazer propaganda enganosa e cuidar da população, porque do contrário, seremos uma população doente em poucos anos”, enfatiza.

O professor Ilvece Cunha, de 73 anos, um dos manifestantes, concorda. “Estão promovendo um genocídio, matando lentamente a população e nós, ao pagar a conta de água, estamos pagando para nos matarem. Estudos comprovam que a água do rio tem metais pesados e eu soube também que o coagulante (polímero de acácia negra) usado para tratar essa água distribuída à população pode até deixa-la branquinha, mas não pura”.

Na Carta os manifestantes alegam que “diversos estudos técnicos e laudos apontam que o tratamento realizado não elimina os metais pesados existentes na lama, a exemplo de estudo pela Federação Nacional dos Médicos, que aponta a possibilidade de câncer e outras doenças para a população que utilizar a água, a longo prazo”. Também denuncia a omissão dos órgãos governamentais nas três esferas federativas, União, Estado e Município, diante do problema.

Samarco

Em nota a Samarco informou que foram distribuídos 74 milhões de litros de água potável e 30 milhões de litros de água mineral à população do município desde o início do processo, em novembro de 2015. O tratamento de água foi restabelecido desde o dia 15 de novembro de 2015 e a água do Saae fornecida à população está dentro dos padrões de potabilidade definidos pela Portaria 2.914 de 2011, do Ministério da Saúde. “A população de Governador Valadares pode acompanhar a variação diária dos parâmetros de ferro, alumínio, manganês e turbidez em cinco painéis eletrônicos instalados na cidade, e também pelo site www.samarco.com”, avisa.

Sobre a nova estrutura para captação de água, alega que é uma demanda antiga da população que vem sendo discutida há alguns anos, principalmente em função da seca e do assoreamento do Rio Doce que dificultava a captação em determinados períodos do ano.

Tanto que em agosto de 2015, a Agência Nacional de Águas (ANA) divulgou que, na estação de Valadares, o nível do Rio Doce estava em 1,06 metro, quando a faixa considerada normal é entre 1,27 metros e 3,09 metros. Nessa época, informa anota da Samarco, cogitou-se a possibilidade de readequar a forma de captação de água no rio, uma vez que a água não tinha altura suficiente para chegar à bomba de captação.
“Uma adutora de captação alternativa de água do Rio Suaçuí Grande para a Estação de Tratamento de Água (ETA) em Valadares está em estudo pela Prefeitura, Saae e Samarco”, conclui.

A assessoria do Saae não foi encontrada para falar sobre a manifestação, mas desde que a água voltou a ser captada no rio Doce, tem divulgado que diversos laudos, entre eles da Funed e Copasa, compravam a eficácia do tratamento e a potabilidade da água tratada distribuída à população.

De acordo com a Polícia Militar, cerca de 150 pessoas participaram do protesto.