Moradores e comerciantes do hipercentro de Belo Horizonte têm lançando mão de artifícios para se proteger da criminalidade. Apesar do indicativo de queda no número de crimes violentos na região, a sensação de quem mora ou trabalha no local é de que ainda falta segurança.
 
Presidente do Conselho Comunitário de Segurança Pública do Hipercentro (Consep), o empresário Jonísio Lustosa tentou “blindar” a própria loja para se livrar da ação de bandidos. Em menos de um mês, o estabelecimento, que fica no limite do Barro Preto com o Centro, foi arrombado e furtado duas vezes.
 
A loja de artigos de segurança foi equipada com sistema de monitoramento por vídeo e cerca elétrica. “O hipercentro é o local onde todo mundo vai para fazer tudo o que precisa, mas o que temos percebido é que falta policial nas ruas. Se a pessoa não vê a polícia, sente-se mais à vontade para fazer coisa errada”, diz.
 
Reforço
 
Subcomandante do 1º Batalhão da Polícia Militar, o major Eugênio Pascoal da Cunha Valadares considera suficiente o efetivo que atua no hipercentro, mas reconhece que seria importante reforçar o policiamento no local.
 
“Conseguimos estabilizar e reduzir o crime no hipercentro. Mas trata-se de uma área muito sensível, que exige um pensamento e um planejamento muito meticuloso. Estamos aguardando o próximo recrutamento para incrementar o policiamento, principalmente a pé”, afirma.
 
A corporação abriu vagas para 1.410 policiais militares. A prova do concurso público foi no início deste mês.
 
WhatsApp
 
Quem vive na região tem apostado as fichas no WhatsApp. Um grupo criado no aplicativo gratuito de troca de mensagens pelo celular tem se mostrado útil para encurtar o caminho entre os moradores e a polícia. A medida, segundo o presidente do Consep, tem dado certo. “Qualquer movimentação suspeita pode ser comunicada e a polícia acionada”, diz Lustosa.
 
E não é só disso que os moradores têm se valido para driblar a insegurança. Segundo o presidente da Associação de Moradores e Amigos da Região Central de BH (Amarce), Vitor Diniz, muitos condomínios têm oferecido treinamento especial a porteiros e vigias.
 
“A maioria dos moradores vive em apartamentos, o que dificulta, de certa forma, a proteção contra os bandidos. O jeito é procurar cursos de especialização para quem trabalha na área de vigilância e segurança”, afirma.
 
O índice de crimes violentos no perímetro da avenida do Contorno caiu quase 5% entre janeiro e 17 de agosto, na comparação com o mesmo período de 2014; as ocorrências foram registradas no Santo Agostinho, Barro Preto, Lourdes, Funcionários, Floresta, Santa Efigênia, Centro e Savassi