Aparelhos das academias ao ar livre em Belo Horizonte estão sendo disputados mesmo com a recomendação de não se praticar atividade física em locais públicos devido à pandemia. Na avenida José Cândido da Silveira, no bairro Cidade Nova, região Nordeste da cidade, diversos moradores se revezaram nesta terça-feira (7) para utilizar os equipamentos.

Tal atitude favorece o risco de contágio da Covid-19. Segundo especialistas, o vírus pode sobreviver nos aparelhos por até três dias. Médicos alertam para a falta de uma desinfecção constante e a utilização por várias pessoas ao longo do dia.

Mesmo assim, uma parcela da população ignora o perigo. Alguns fazem alongamentos e exercícios que trabalham pernas e braços. Assim que uma pessoa deixava um equipamento, outra já utilizava em seguida.

Durante quatro horas - a reportagem do Hoje em Dia permaneceu no local das 7h30 às 11h30 - nenhum aparelho foi higienizado. Além disso, algumas pessoas sequer se exercitavam, apenas brincavam no espaço. Um homem foi visto em um balanço.

Não bastasse a utilização da academia ao ar livre, muita gente caminhava pela avenida. Algumas estavam com a máscara abaixo do queixo e havia, inclusive, pessoas sem o equipamento de proteção.

Perigo

Atitude que é reprovada pela médica Denise Cristiane Costa, de 35 anos. De acordo com a profissional, que atende casos suspeitos da Covid-19 na UPA de Venda Nova, neste momento de aproximação do pico da pandemia, as pessoas devem ficar em casa. A especialista ressalta, ainda, que os aparelhos das academias ao ar livre não deveriam ser utilizados.

"O vírus pode permanecer vivo nesses equipamentos por até 72 horas", alertou. "Tem muita gente sem máscara que pode tossir e jogar o vírus no equipamento", reforçou a médica. Outro risco é levar a mão contaminada ao rosto. "As pessoas precisam treinar em casa", defende.

Nesta semana, o Hoje em Dia tem percorrendo espaços públicos da metrópole para mostrar os atos de desobediência por parte da população. Na segunda-feira (6), aglomerações foram registradas em uma via do bairro Mangabeiras

Conscientização

Agentes da Guarda Municipal estiveram no local. Mas, como não podem impedir a circulação e utilização do espaço público, distribuíram folhetos sobre o risco de contaminação e máscaras a quem estava sem proteção.

Conforme a corporação, campanhas de conscientização têm sido feitas. "As abordagens dos agentes acontecem durante patrulhas preventivas rotineiras, feitas espontaneamente por toda a cidade, ou com base em denúncias recebidas pelos canais disponibilizados pela Prefeitura de Belo Horizonte à população".

Sobre não ter interditado o local, a PBH disse que só fechou com grades pontos com "fluxo muito alto de pessoas".

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