Quatro anos após terem denunciado irregularidades na operação do Complexo Minerário de Vargem Grande, em Nova Lima, na Grande BH, de propriedade da Vale, moradores cobraram respostas sobre a situação da estrutura. Nesta terça-feira (26), em protesto, eles afixaram faixas em frente ao prédio do Ministério Público (MP), na capital.

Os manifestantes vivem na chamada Zona de Autossalvamento (ZAS), área que pode ser atingida pelos rejeitos de minério em caso de colapso da estrutura. Em 2015, eles registraram uma queixa sobre possíveis crimes ambientais que estariam sendo cometidos pela mineradora no local.

Um dos organizadores do ato, Luiz Begazo, presidente da Associação dos Proprietários do Condomínio Solar da Lagoa (Assproa), relata despejo de rejeitos na Lagoa das Codornas e poluição sonora em decorrência da movimentação de maquinário durante a extração de minério. “Não podemos confiar apenas no discurso da Vale. É preciso ocorrer uma ação penal para se investigar a operação”, afirma. 

Vargem Grande

Luiz Begazo mostra a cópia da denúncia apresentada ao MP, em 2015, apontando irregularidades na operação da Vale em Vargem Grande 

Luiz Begazo tem uma casa no residencial. Inicialmente, a mineradora informou que toda a área seria varrida pela lama, em caso de rompimento. Porém, posteriormente, a informação repassada aos moradores era de que apenas parte do terreno seria atingida. Os moradores foram autorizados a retornar para os imóveis. “Meus caseiros voltaram, mas o sentimento é de insegurança, medo”, conta o líder da comunidade. 

Evacuação

Segundo a Defesa Civil de Nova Lima, 75 pessoas foram evacuadas das casas. O órgão não informou quantas delas regressaram após o comunicado de que o Solar da Lagoa não seria atingido. 

De acordo com o MP, as denúncias sobre a operação em Vargem Grande resultaram na solicitação de abertura de um inquérito à Polícia Civil para apuração de crime ambiental. Também pediu, por meio de ação civil pública, a suspensão das atividades em Vargem Grande, o que foi acatado.

Já a Polícia Civil informou que investiga o caso desde 2016. Em setembro do ano passado, a corporação pediu à Justiça ampliação de prazo para a realização de novas diligências. O andamento dos trabalhos,m no entanto, não foi informado.

A Vale foi procurada, mas ainda não se manifestou sobre o assunto.