A crise de asma que caminhou para uma parada cardíaca e terminou encerrando precocemente a carreira da escritora, roteirista, apresentadora e atriz brasileira Fernanda Young, de 49 anos, na madrugada desse domingo (25), na cidade de Gonçalves, no Sul de Minas, tem muito a ensinar. 

A asma é uma doença crônica (portanto, sem cura) e que aparenta ter fácil controle, com suas bombinhas para a respiração sempre ao alcance. A verdade é que ela é bem mais complexa e exige tratamento correto e personalizado. Além disso, mesmo que a enfermidade não tenha surgido na infância, pode vir a ocorrer na vida adulta, impulsionada por maus hábitos ao longo da vida. 

Segundo dados do Ministério da Saúde, seis pessoas morrem todos os dias em decorrência do mal no Brasil. Como explica o professor da UFMG e médico pneumologista Cássio da Cunha Ibiapina, a asma inflama os brônquios (tubos que levam o ar aos pulmões). Ao inflá-los, limita a passagem de oxigênio, trazendo quase sempre uma tríade difícil de conviver: tosse, xiado e falta de ar.

Nessas horas, o paciente asmático tem às mãos dois tipos de bombinhas de ar: aquela usada para o controle diário da doença e outra, específica para o uso em caso de crises. Por estar 'acostumado' a cuidar da doença desde criança, o portador da doença, muitas vezes, relega sua importância e se afasta do controle frequente. É aí que mora o perigo.

"A tríade não se manifesta em todos os pacientes. Há pessoas que sofrem com um aperto, uma dor no peito e, por isso, têm dificuldade de reconhecer esse problema como uma crise de asma. Assim, com dificuldade de reconhecer a crise, a abordagem pode atrasar", explica Ibiapina. 

Por isso, na opinião do especialista, é tão importante estar em contato frequente com o pneumologista de confiança. Há crises que podem ser tratadas em casa, com as medicações conhecidas, mas há outras que exigem a ida urgente ao hospital. Essa personalização, que permite saber até que ponto o doente pode usar uma bombinha ou se deve ir à emergência, só é definida pela abordagem contínua do pneumologista. 

Pulmão

A asma causa a inflamação dos brônquios (tubos que levam o ar aos pulmões)

Asma pode surgir na vida adulta

A maior parte dos asmáticos sofre com a doença desde a infância, em uma sistema que tem origem genética. Nesse período, estudos mostram que ela acomete mais os meninos do que as meninas. Já na vida adulta, por questões diversas, incluindo aspectos hormonais, são as mulheres que sofrem mais com o mal do que os homens. 

Na vida adulta, a asma pode surgir a partir do comportamento do paciente. "O tabagismo, a poluição ambiental e vírus são alguns dos causadores. A falta de atividade física e a obesidade, assim como em outras doenças crônicas, como o diabetes e a hipertensão, também são motivos de alerta", afirma o professor da UFMG. 

"Infelizmente, para toda doença crônica existe uma dificuldade maior na adesão de ir ao médico, de fazer o controle. Por se tratar de uma doença crônica, o controle periódico é essencial e vai variar com a gravidade do problema. Tem paciente que deve se consultar mensalmente. Já outros, uma vez por ano", finaliza.

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